Músicas inéditas (coletânea de composições próprias)

sábado, janeiro 14, 2017Roberth Moura



Recentemente me mudei de uma kitnet, onde morava sozinho, para dividir apartamento com mais 2 seres humanos. Já é a terceira vez que me mudo, desde que me saí de Minas para o Espírito Santo. Adoro mudar. E nesse vai-e-vem, coisas são jogadas fora, coisas são doadas, coisas são recicladas. Encontrei meu caderninho velho de anotações, poesias e músicas e, antes de jogá-lo fora, assim como já fiz com dezenas de outros, resolvi deixar aqui as canções que havia escrito nele.

Gravei as canções e digitei as letras. Só quero deixar claro que, primeiramente, eu não sou cantor profissional. Segundamente, eu não sabia tocar no violão todas as músicas que eu compus (sim, isso é possível, rs), por isso algumas estão “à capela”. Terceiramente, não são músicas para ganhar o Grammy. São músicas pra ouvir e rir da vida, das nossas desgraças e das nossas conquistas. Então, deliciem-se.

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1 - Vidinha de um universitário medíocre

Tudo que eu não consegui fazer em tempo hábil
Eu vou fazer agora
Em tempo recorde

Se em um ano todo a cervejada me tomou
Em uma semana eu vou bater
Todos os recordes

Meu projeto não terminei
Netflix não deixou
A novela embromou
Maurício de Souza me ludibriou
Jogos Vorazes alienou
Guerra dos tronos viciou

E agora eu faço o quê com a solidão
Se neste meu sábado à noite
Eu vou fazer a redação?

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A próxima música eu compus a letra tendo como inspiração a mãe de uma amiga, lá do interiorzão de Minas Gerais que, desde criança, eu sempre achei a mulher mais perfumosa do mundo.  Há quem diga que a letra deixa brechas para interpretações sexistas. Eu prefiro me abster de opinar sobre isso, embora reconheça que da mesma forma que há Jandiras, há “Jandiros” também.
A melodia desta canção (assim como de todas as outras, rs) deixa sempre a impressão “já ouvi esta música em algum lugar”. Isso acontece porque eu não sou nenhum Villa-Lobos e todas as melodias eu crio com base naqueles produtos que eu consumo. Talvez a canção lembre um pouco as "Ângela", "Lígia" e "Ana Luiza"de Tom Jobim.  Então, não me julgue pela falta de criatividade. Vamos à música.

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2 - Jandira, tão bela quanto perigosa

Jandira você me embriaga com a sua lira
Este corpo tão belo, essa boca tão linda
Este cheiro de flor que eleva o amor...

Quando tu passas na rua, que coisa tão bela
Os homens suspiram, caem da janela
Porque o seu corpo provoca ardor

Mas não se preocupe Jandira,
Apesar da idade
Você tem os homens de toda cidade
Na palma da mão pra fazer o que quer

E como mulher brasileira, já sei o que queres
Não posso julgá-la, nem outras mulheres
Porque seu coração tem oito amperes...


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O próximo samba foi composto em homenagem aos meus amigos da pós-graduação. O termo drogadicto surgiu, na verdade, como xingamento à minha colega que me acompanha desde a graduação que reclamava e reclamava que não tinha dinheiro para fazer as coisas que eu chamava, mas que toda semana estava no bar bebendo o mijo de satanás (também conhecido como cerveja). No mestrado ela também me acompanhou e encontramos outras pessoas com o mesmo perfil dela, então o nome colou. Fiz esta música como uma singela homenagem a nós.
É bom esclarecer que “lama”, na letra da música, se refere à “rua da lama” em Vitória – ES, uma rua com vários barzinhos, muito frequentada por estudantes da UFES, universidade que estudamos.  Também é bom esclarecer que o samba não foi feito para ser cantado de uma pessoa só. Como eu não tenho banda, tive que fazer o ritmo ficar bem lento, para dar conta de cantar a letra toda sozinho.
Agora, já chega de explicações. Vamos ouvir a canção.

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3 - Samba dos drogadictos mestres

Aquela turma
A chamada por muitos de safra boa
De gente trabalhadeira e gente a toa
Aqueles que ganham bolsa e vão pra Paquetá passear

No meio da tarde,
Depois daquela pratada do RU
Junta as coisas, vão embora, e o resto que se FU
Quando chega a soberana e começa a chamar

Cadê Fernanda?
Fernanda tá na lama
Cadê Amorzine?
Amorzine tá amando na lama
E Yasmã?
Tá dançando com a parede lá na lama também
(ela nunca me enganou)

Onde está Mary’s?
Foi a primeira da turma a sair
E Marcelino?
Bebe a loira até virar o zoim
E Anny Paully?
Foi correr calçadão à meia noite pra compensar
O pratão do RU
Que açoite

E assim, vai cantando, vai bebendo a turma dos drogadictos
Vai fumando, vai sonhando, esquece os compromissos
Mas a vida não é só isso também tem que estudar

E à meia –noite, bem no meio da semana, uma quarta-feira
Acabados, destruídos, cessam a bebedeira
Pois lembraram da dissertação pra terminar

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A canção a seguir foi composta para meus amigos em um grupo do whatsapp, onde eles viviam escrevendo expressões em inglês e mandando charges e piadas como se fosse a coisa mais natural do mundo. Como se todo mundo no grupo naturalmente falasse inglês. O pior é que todo mundo falava, só eu que não. Aí, como forma de protesto eu criei essa musiquinha tosca pra eles. 
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4 - Todo mundo fala inglês menos eu

Eu quero aprender inglês
Todo mundo fala inglês
Classe média do Brasil já nasceu
pra falar
como gringo
cantando
ouvindo
e vivendo
o inglês

Eu só sei I love you
Conjugar verbo to be
Mas na hora de falar
Até mesmo de ouvir
Eu boio feito cocô na lagoa
Se me xingam ou se eu sou gente boa
jamais saberei

A escola estadual
Para a avida não me preparou
A cultura nacional
Me envolveu, me sequestrou
Rock, pop não ouvi
Twilight não assisti
Por isso estou
Reclamando estou
Aqui

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A próxima sessão traz músicas que foram inspiradas na paixão, no amor, na desilusão. Relacionamentos não são fáceis, mas mesmo assim o desejamos com tamanha intensidade que a razão não é capaz de explicar.
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5 - Papel de trouxa

Te conheci ontem no aplicativo, foi de Deus eu te encontrar
E hoje loucamente estou te amando, nem consigo explicar
Mas você visualiza minhas mensagens e demora responder
Só penso que você já não me quer, que de mim vai se esquecer

Para o parque eu te convidei e você me disse “não”
Quando para a praia eu te chamei do fundo do coração

Você disse que é tímido e não curte areia
Que não gostava de em público se expor
Então me leve agora pro seu quarto, oh, Breninho
E me ame por favor

Breninho visualizou mensagem e nunca mais respondeu...


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6 - Pagodinho do amor proibido

Refrão
É irracional o meu amor
É irracional
Quando chega na portinha dele
Tum, Tum, Tum
É quase carnaval

I
Meu coração está apaixonado
Por um garoto mais novo que eu
Disse pra ele que está todo errado
Mas coração nem me ouviu e riu
Esse garoto é amor proibido
Comprometido, nele me gamei
Pra complicar essa bagaça toda
Sou chefe dele, ah eu me lasquei

II
O amor não respeita porta
De coração de seu ninguém eu sei
Quando eu penso que está começando
Há muito tempo eu já me apaixonei
O que fazer com esse amor proibido?
Pra espantar os males começo a cantar
Boy que trabalha o dia inteiro comigo
Não procure meu chefe pra denunciar!

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Este pagodinho surgiu de uma paixonite ilusória de mão única que eu vivi no final de 2016. Tanto ele quanto a próxima música foram inspirados pela mesma pessoa. A criação de uma fantasia no meu imaginário me fez acreditar que teria chances com meu crush, mas o destino foi cruel e reservou surpresas não muito agradáveis para minha pessoa. Como dizia minha avó, querer não é poder. Tive como inspiração (além do sonoro não na noite de natal) o samba-canção cantado por Nora Ney "Ninguém me ama" e "Atrás da Porta" de Chico Buarque e Francis Hime.  Ouça no que deu:
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7 - Para meu querido Joh

Por que não me ama?
Por que não me quer?
Por que pela vida afora
Levo não toda hora?

Eu hoje chorei
Você não se importa
Chamei bem baixinho seu nome
Atrás da porta

Mas não quer saber
Se eu sofro porque
Bem feliz é com outro qualquer

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Esta foi levemente inspirada na cantiga popular “Itororó”, aquela “Fui no Itororó beber água e não achei, achei bela morena que Itoró deixei”. Tem mais de 3 anos que a compus... Esta foi uma das que eu consegui recuperar das minhas inúmeras mudanças. Cada mudança era um caderno velho, cheio de rabiscos, músicas inacabadas, poesias sem sentido, contos que ninguém iria querer ler que eu jogava fora. Esta permaneceu na memória.

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8 - O maior dilema da vida de um homem

Hoje fui procurar Clarissa, 
Mas não encontrei...
Encontrei bela morena,
Que no Itororó não deixei!
E agora, o que é que eu faço?
Que sinuca de bico!
Não sei se com bela morena,
Ou com Clarissa eu fico.

Vou lá à Vila passear,
Meu dinheiro eu vou gastar,
Sem saber de mulher!
Mas se a Clarissa não voltar
E a morena sambar
O que é que eu vou fazer?
Ai, ai, meu Deus!




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Esta música eu compus mês passado, para minha amiga Larissa. Ela (a música) pode parecer machista, sexista, gordofóbica e opressora, mas não foi feita com esta intenção. A letra deriva de um misto de piadas internas, que só fazem sentido dentro daquele contexto. Se estiver a fim de cantá-la, basta fazer uma leve alteração na letra, tirando a parte possivelmente ofensiva, da mesma forma que cantores de funk como “o pai te ama” fazem. Deliciem-se:
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9 - A musa do PPGP que a todos seduz


Lari, Larissa & Lari, Lariê
Hoje ele canta que gosta de você
É só mais um na sua lista dos corações que você conquistou...

Lari, Larissa, deixa ele sonhar
Porque a vida não demora a passar
Se um dia ninguém mais te querer, pega o Lari, Lariê

Hoje é bela, todos querem você
Em Cachoeiro, tem até que correr
Mas não se iluda Larissa
Porque a roda pode girar

Então não despreze o amor do Lari, Lariê
Porque a cerveja pode engordar você
E hoje quem você não quer
Pode amanhã não te querer!


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Esta é mais uma daquelas que compus há uns 4 anos, no início da graduação. Ficou na memória e eu aqui estou a cantar. Quando escrevi o “Menino da lua”, estava fortemente influenciado pelas canções “Menina da lua” (Renato Motta, um compositor mineiro, assim como eu), “Menininha do portão” (Wilson Simonal) e “Menino do sinaleiro” (Daniel e Samuel). Há um misto de crítica social e fantasia, numa atmosfera de lirismo exacerbado que ao final, passa uma mensagem de libertação e ao mesmo tempo de perda. Na minha cabeça, a música vinha acompanhada de uma orquestra enorme, com 50 violinos, piano, violoncelos, flautas, açúcar, tempero e tudo que há de bom, começando bem suavemente e depois ganhando profundidade dramática. Mas como eu não tenho essa orquestra, vou fazer só na voz e violão mesmo. É o que tem pra hoje.
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10 - Menino da lua

Vai, menino
Que brinca na lua
Vai voando na casa dos sonhos
A casa que tinha o seu cobertor

Vai menino
Leva contigo
A esperança de um mundo melhor
Não adianta
Viver esperando
Vai, segue em frente
O mundo é seu

Menino, entenda,
Não quero que vá
Mas sei que é preciso
Encontrar sua paz.
A terra, cometas
O cetro, a flor
É isto que queres
Pra ser um doutor?
Doutores da vida
Que vida cruel!
Me tire da rua

Ou vou para o céu.


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Esta é uma história real. A primeira vez que eu resolvi pular carnaval na minha vida, eu fui assaltado. Sinal de que esta festa não agrada ao Senhor (aleluias). Eu perdi 14 reais e 2 skol beats. Meus amigos perderam celulares topzera, dinheiros e documentos. E para descontrair e aliviar a tensão dessa vida insana, a gente faz o quê? Compõe mais um sambinha, e deixa a vida nos levar...
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11 - O meliante do meu carnaval

No dia 26 de fevereiro, Carnaval, o meu primeiro,
Aconteceu uma parada sem igual
Andando pela praia capixaba, três amigos, madrugada
Apareceu o meliante irracional

Dizendo: vai pro chão, perdeu, perdeu
Não olha na minha cara, se não vai levar
Passa dinheiro, a carteira, o celular
O cartão e sua senha, que eu vou te roubar!

Agoniado, respondi assim pro moço, 
leve tudo que eu tenho
Só não queira do meu corpo abusar

Tiro no alto, na cabeça do amigo, 
engraçadinho escondia o celular
Pro meliante enganar
(faz isso não)

Traumatizado depois desse episódio,
Juntei todas minhas coisas, sim eu vou vazar
Voltar pra Minas, vou cuidar da minha terrinha
Jogar milho pras galinha sem me preocupar.

Enquanto isso o meliante vai gastando
Tudo que ele nos roubou. 
Um nike foi comprar! 

    
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Bom pessoal, é isso. Tem dezenas de outras no caderno, mas muitas eu esqueci a melodia, então deixaram de ser músicas, rs. Outras tantas eu achei impublicáveis, que ninguém merecia ouvir aquilo. Enfim, isto é um pouco do que eu faço nas horas vagas, movido pela alegria e pela tristeza. Por hoje é só e até a próxima! Beijos de luz no coração.

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