Cultura Filosofias e Reflexões

Ao vencedor, as batatas

quarta-feira, janeiro 13, 2016Roberth Moura

*Publicado originalmente na 9ª edição da revista Geração Z



E aí, juventude?
O Enem realizou,
A bolsa saiu,
O diploma pegou.

Mas, e agora, juventude?
Formado tu és,
Tem o mundo a seus pés,
Até já comeu ricos canapés.

Mas agora já é passado.
Viu que o mundo não é tão belo.
Achou que o mais difícil havia acabado.

Mas nada é tão ruim,
Que não possa ser piorado.

Bate na porta,
A porta não abre.
Procura outra porta:
Onde mesmo está a porta?
A porta não existe mais.
Você olha para o lado
E vê centenas iguais a você.
Jovens,
Formados.
Desempregados.

Onde eles estavam este tempo todo que você não os via?
Invisíveis?

Invisíveis não, meu jovem!
Excluídos.
Às vezes, massacrados.
Às vezes, sacudidos.

Sem Quem Indica.
Sem avô industrial.
Tecnicamente, sem mérito.
(meritocraticamente falando,
pela ótica do capital).

E agora, juventude, o que é que vai fazer?
Vai voltar para o Mc Donald’s,
Até encontrar algo que lhe é mister.
Porque futuro brilhante,
Já está perdendo a esperança de reaver...

Ao vencedor,
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Duzentos gramas de batatas,
Sem ketchup,
Com subserviência e amor,
Por favor.
Sim, senhor.




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