Ótica Psicológica

Um beijo para as recalcadas

terça-feira, março 03, 2015Roberth Moura


          Era inadmissível, para mim, ouvir um estudante de psicologia usar o termo recalque no sentido vulgar da palavra. Mas isso só permaneceu desta forma até o dia em que eu me peguei chamando certa fulana de recalcada. Freud revirou-se em seu túmulo 180 graus. Como forma de expiação, eu resolvi escrever uma postagem sobre o recalque, aquele, de verdade mesmo na psicologia.


Para a grande massa que não faz parte do universo psiqué, “recalcada” tomou o sentido de invejosa, mal-amada, oprimida, enquanto a não-recalcada seria a poderosa, a gostosona, a bem-comida. Coisa que a fulana que eu chamei definitivamente não era. Mas isso não vem ao caso.

De acordo com o Dicionário Psicanálise o recalque se refere ao “processo que visa a manter no inconsciente todas as ideias e representações ligadas às pulsões e cuja realização, produtora de prazer, afetaria o equilíbrio do funcionamento psicológico do indivíduo, transformando-se em fonte de desprazer” (ROUDINESCO, 1998, p. 147).
Em outras palavras, o recalque mantém (ou tenta manter) o conteúdo desagradável o mais longe possível da consciência. Imagina que uma criança viu um acidente muito sangrento em determinada situação. O recalque funciona mais ou menos como uma mãe que bloqueia os canais de notícias de violência sangrenta para que sua criança não veja. E as notícias sempre tentam aparecer por outros meios: jornais, internet, revistas, mas a mãe tenta, de todas as formas, obrigar estas notícias longe das vistas desta criança para que ela não sofra.

Melhor dizendo, o recalque é uma tentativa de esquecimento, antes de tudo. Imagina se você se lembrasse de tudo o tempo todo? Certamente você não suportaria.

Se você ainda não compreendeu bem o termo, meu colega de profissão Lucas Nápoli fez um vídeo bastante explicativo sobre o assunto. Assista:




Nesta perspectiva, você pode perceber o quão recalcado você é, e não há nada que você possa fazer para não ter esse título.
Até a próxima, recalcados!

Bibliografia:


ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1998. 874 p.

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3 comentários

  1. Odacyr, estou lendo JESUS - O MAIOR PSICOLOGO QUE JA EXISTIU, de MARK W BAKER.
    Vc ja leu? o que vc acha desse livro?

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  2. Oi, Luana!
    Não posso falar nada sobre o livro porque nunca li...

    Abraço!

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  3. Ótima explicação. Um abraço.

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