O mestrado

segunda-feira, janeiro 12, 2015Roberth Moura


Este artigo está escrito em Times 12, justificado, espaço de 1,5 nas entrelinhas.
Tudo dentro das normas da ABNT.
                                                  
            Este ano, eu tentei mestrado em duas universidades. Em uma eu passei. Em outra, eu levei um tapa na cara. Se as duas tivessem me dado um tapa na cara, eu acho que eu não teria forças para levantar do chão. Tampouco para escrever este artigo.

            A primeira tentativa foi o mestrado em Educação na UFMG. Como eu sou formado em pedagogia e psicologia, eu pensei em fazer meu mestrado em educação e pesquisar na linha da psicologia. Paguei a taxa de inscrição caríssima, elaborei meticulosamente meu projeto de pesquisa, pedi a ajuda de vários universitários e professores, que fizeram correções e sugestões e eu enviei, aquele projeto lindo. O título era “Representações Sociais sobre a escola e a educação por adolescentes e jovens homicidas em cumprimento de medida socioeducativa”. Projeto esplendoroso. Eu confiante que iria tirar 100, tirei 80.

            Mas tudo bem. “Pelo menos passei na primeira etapa”, pensei. A próxima etapa foi a prova de conhecimentos em educação.  Li milhares de páginas para fazer a bendita. Eram 2 livros e 3 artigos, para serem lidos em um mês e meio, mais ou menos. E eu, no último semestre das 2 faculdades, cheio de trabalhos, provas, estágios e relatórios tive que fazer uma leitura dinâmica dos conteúdos. Pelos meus cálculos, pensei que fosse tirar uns 55 pontos na prova, porque eu dei uma embromadinha federal. Já havia até desistido da ideia de morar na Pampulha, fazer caminhadas na beira da lagoa todos os fins de tarde, lindo e sorridente, como se não houvesse amanhã. Tirei 70 pontos.

            Inebriado. Foi assim que eu fiquei.  Busquei, então, me preparar para a última etapa que era a entrevista. Estudei arduamente o meu projeto, fiz uma pasta enorme com os comprovantes do meu currículo lattes organizados cronologicamente, treinei no espelho, pesquisei todas as possíveis perguntas e elaborei respostas pomposas e eficientes. Mas nada disso bastou para saciar a sede dos entrevistadores, porque eu tirei apenas 60 e fui reprovadíssimo. Com isso aprendi que respostas pomposas e eficientes não levam a gente a lugar nenhum. Prova maior disso foi o Aécio acabando com a Dilma nos debates da TV. Perdeu feio no dia lá.

            Depois do pé na bunda do melhor mestrado em educação do país (isso de acordo com a CAPES), falei para mim mesmo que ia apostar todas as minhas fichas no mestrado de psicologia. Esse mestrado foi tão de Deus, que nem taxa de inscrição teve. A prova da UFES foi só de metodologia aplicada à psicologia. Ainda bem que não tinha milhões de leituras, porque não ia dar tempo de ler. Mesmo assim, eu fiz a prova achando que fosse tirar 9,75 e tirei 7,5. Para a entrevista não treinei uma linha, porque eu queria ser espontâneo, e dar as respostas mais sucintas e pontuais possíveis. Fui pomposo da outra vez e tomei no xilindró. Fui à igreja orar e fiz várias promessas se eu passasse (promessas estas que agora eu não me lembro quais. Curiosamente isto sempre me acontece: esquecer que promessa eu fiz quando a graça é alcançada). Detalhe: a entrevista era no dia da minha formatura. Outro detalhe: minha cidade fica a mais de 300 quilômetros de Vitória. A entrevista aconteceu de forma tranquila e eu mandei uma mensagem para meu inconsciente: qualquer nota que eu tirar eu vou ficar feliz, desde que eu passe.  

Minha cara de felicidade com o resultado. 
            Sete e meio foi a pontuação suficiente para fazer eu quase botar um ovo, tamanha felicidade. Decidi que ia me dedicar tanto a este mestrado que ia fazer a UFMG chorar lágrimas de sangue de arrependimento por não me ter selecionado, e se arrastar ao chão, implorando para eu voltar, enquanto eu torceria o nariz para ela (a gente cresce mas este sentimento infantil de vingança cruel não amadurece. Está parecendo quando eu sofria bullying e planejava voltar na escola anos depois, bombadão e bater em todo mundo até eles pedirem penico).

Perder faz parte da vida e pode ajudar no nosso crescimento pessoal (mas vamos combinar que ninguém gosta de perder, embora isto também seja imprescindível). Dor de cotovelo à parte, até agora eu estou emocionado com minha aprovação da Federal do Espírito Santo. Uma sensação meio surreal, meio etérea. Meio “fumei um beck”, meio ainda não acordei direito.

            Enfim, deixa eu aproveitar este momento que a caminhada será longa. Essa odisseia toda foi só o começo. A ponta do iceberg. Quando a batalha contra o tempo começar, eu tenho de estar preparado. Me desejem sorte!






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5 comentários


  1. Esse mestrado foi tão de Deus, que nem taxa de inscrição teve = é pra glorificar de pé! by Valdemiro Santiago

    Decidi que ia me dedicar tanto a este mestrado que ia fazer a UFMG chorar lágrimas de sangue de arrependimento por não me ter selecionado, e se arrastar ao chão, implorando para eu voltar, = Quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver vc na benção vai se arrepender, by Damares

    hahahaha

    bem vindo ao ES!!!!!!!
    Muito feliz por vc!

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  2. Obrigado! Eu acredito que eu vou adorar minha estadia no Espírito Santo! Brevemente escreverei alguma coisa sobre...

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  3. Parabéns, Odayr! Com certeza, a UFMG arrepender—se—á de não ter te escolhido! ;) Você vai se dar muito bem no ES(não conheço o lugar, mas você é desenrolado!) Escreva sempre.

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  4. Eita, é Odacyr! Parabéns, Odacyr! Perdoa aí, é porque esse nome é difícil, hein!

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    1. kkkk Muito obrigado Daiane. Pode ter certeza que continuarei escrevendo, porque esta é uma das coisas que mais gosto de fazer. Em relação ao nome, você não é a primeira pessoa que me fala disso. Até já escrevi uma postagem falando disso. Veja:

      http://www.peripeciaspsicologicas.com.br/2011/09/os-nomes-odacyr-roberth.html

      Abraços!

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