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Quase Deuses – entre a ciência e o senso comum

quarta-feira, julho 09, 2014Roberth Moura


Para se entender e a partir daí criticar a obra de um autor ou até mesmo um filme é preciso antes compreender o contexto do desenrolar dos fatos. O filme Quase Deus tem como momento histórico a Grande Depressão causada pela guerra, porém não como pano de fundo que rege os acontecimentos centrais mas como contexto histórico que influencia o pensamento de uma época.

Para ver a sinopse da história veja Quase Deuses – Resenha crítica.

Desde o início do filme o protagonista Vivien Thomas (Mos Def), baseia suas ações na observação do Dr. Balock (Alan Rickman) e tem como suporte suas próprias experimentações, consideradas não científicas, devido ao fato de Vivien ainda não ser médico, ou seja, utiliza-se do conhecimento do senso comum.

Deve-se levar em consideração que Vivien não havia visto ninguém fazer cirurgias no coração anteriormente, até por que até então cirurgias no coração eram consideradas inviáveis. Então de onde ele tirou essa experiência? A resposta para essa questão é que Vivien faz experiências usando animais como cobaias e baseia-se no resultado obtido por essas experiências e nas experiências já vividas por ele para poder criar uma nova maneira de se fazer cirurgias. O filme tem como objetivo mostrar que o conhecimento do senso comum não deve ser desprezado e que ele pode ser comprovado como verdadeiro e que esse conhecimento não é inútil e falso como pode-se pensar, ao contrário, ele antecede o conhecimento científico.

Na verdade, o que o filme retrata não é apenas como se concebeu o conhecimento do senso comum num mundo em que ele não é valorizado, mas também a repercussão do efeito causado por ele num mundo totalmente científico. Vivien foi obrigado a ficar calado quando sua nova técnica para cirurgias no coração deu certo, pois nesse conflitante mundo que ele vivia, nem sempre era lembrado devido ao fato de não ser médico.



Existe aí também embutida a questão do preconceito racial que foi um dos fatores que também influenciaram ao não reconhecimento imediato de Vivien. Contudo, a Ciência reconheceu que não é apenas o diploma, um mero pedaço de papel que faz de um homem um cientista. Vivien, quase no fim de sua vida, recebeu todas as glórias que merecia e a ciência percebeu que ela também precisa utilizar-se de recursos como o conhecimento do senso comum para se firmar como verdade e desempenhar, de fato, a sua função, que é buscar melhores condições de vida para a humanidade e bem estar social.

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