Humor

A função do lepo-lepo na vida de um homem

terça-feira, abril 08, 2014Roberth Moura



Aí, do nada, aparece aquele seu amigo e começa a falar de mulher (é o único assunto que ele tem na vida):
− Nossa, cara, tem uma gatinha filé querendo ficar comigo. Não tô aguentando esperar o feriado chegar pra partir pra BH.
 − Ué, mas sua peguete não morava no mesmo bairro que você, aqui mesmo?
− Não, brô! Essa aí é outra.
− Então você vai ficar com as duas ao mesmo tempo?
− Ao mesmo tempo, exatamente, não. Uma mora aqui, a outra em BH. Sácomé, né?
E aí você começa a discutir com você mesmo em seu microcosmo interior: “porque esse cara menos bonito que eu, menos inteligente que eu, menos vivido que eu, pega 2 e eu aqui, solteiro há milhares de anos, e ninguém quer meu corpo nu?”. E seu amigo continua:
− Fora que eu não te contei da mulher mais velha que queria que eu desse uns pegas nela.
− E você pegou?
− Claro que peguei. Ela tem uns 40 anos. Mas eu nunca mais fico com mulher mais velha.

− Por que não?
− Elas são grudentas demais. Ficam te ligando toda hora, querendo que a gente vai “comparecer”. Coisa chata essas mulheres que ficam pegando no pé da gente, né?
− Hum... Sei bem como é que é isso.

Na verdade, você não sabe não. A única mulher grudenta que poderia ter ficado no seu pé, te ligando toda hora, era sua mãe. Como ela não é disso, você não tem a mínima ideia do que seu amigo está falando.
E aí seu amigo te pergunta:
− Você deve estar pegando todas lá naquela faculdade cheia de mulher bonita, né, safadão? Pode falar a verdade!
− Ô! Você nem imagina o quanto.
− Fala pra mim, quantas mais ou menos cê já “passou o rodo”?
(Breves segundos de silêncio constrangedor)
− Várias.
− Tá, mas várias tipo quantas? 10, 20, 30?
− Tipo assim... várias mulheres. Várias mesmo.
Mais alguns segundos constrangedores. Você se pergunta “invento uma história mirabolante de paixões intensas e amores roubados ou conto a verdade e deixo esse pirralho ganhar de mim?”. A solução intelectual sempre ganha.

− Bom, na verdade, eu acho que já passei dessa fase de ficar contando quantas mulheres eu pego e quantas mulheres eu deixei de pegar. Que coisa mais imatura para um homem de 23 anos, não é mesmo? Quando eu tinha 16, igual a você, até listinha eu já fazia (embora essa listinha tivesse apenas dois nomes, mas isso não vem ao caso). E as listas eram E-NOR-MES, com o nome de várias garotas. Mas essa fase já passou. Agora eu estou mais na fase “deixa a vida me levar”. O que vier é lucro.

O telefone dele toca. É uma das três. Ou alguma outra que eu não tenha tomado ciência.
E não adianta você pensar que é mais bonito, mais engraçado, mais culto, mais experiente. A única resposta para o motivo de seu amigo ter tanto e você quase nada é apenas uma: falta-te o lepo-lepo.


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