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O Brazil globalizado na globalização

segunda-feira, fevereiro 10, 2014Roberth Moura




    A globalização só estourou a partir da década de 80, coincidindo com a virada cultural, quando as questões de cultura tiveram seu campo de interesse ampliado para além dos nichos tradicionais e ganharam posição central. A globalização deixa de ser vista apenas política e economicamente e passa a fazer parte dos valores sociais e culturais do sistema mundial. Ela deixa então de ser apenas observada e passa a ser vivida.



Muitos economistas analisam a globalização como resultado do pós Segunda Guerra Mundial. Já em 1941, um dos primeiros sintomas da globalização das comunicações surgiu: o pacote cultural-ideológico dos Estados Unidos incluía várias edições diárias de O Repórter Esso (transmissão diária de notícias, em 14 países do continente americano). O fenômeno se intensificou de tal forma que ultrapassa a interação entre pessoas e abrange nações inteiras. Tal fenômeno dá origem a uma nova situação, denominada pós-modernidade.

        Nesse novo tempo, sujeito e objeto tornam-se inusitadamente mais próximos, e as tendências paradoxais combinam-se pois, se por um lado ocorre a homogeneização cultural, por outro acentuam as diferenças culturais.

Isso se dá devido a vários fatores, tais como: o rompimento da solidariedade estreita entre valores sociais e território, a perda do monopólio da tendência genérica à reflexão e à auto-reflexão de uma sociedade; as doutrinas religiosas de vários tipos, que implica também questões complexas tais como o “orientalismo invertido”; às institucionalizações das doutrinas, que se assemelham ao globalismo justamente por substituir lógicas e estratificações exclusivistas; às pessoas que fazem parte de um mesmo movimento social em função de um mesmo objetivo, que podem não agir em comum, mas nem por isso o deixam de fazê-lo; e à necessidade de o homem se reinventar, tornando-se reflexivo e capaz de se comportar com plurivocidade.

Globalização
Como se sabe a cultura brasileira foi, em sua maior parte, criada com imagens trazidas de fora. Isso por que a imagem que os nativos cultivavam, seus hábitos e costumes, eram totalmente deploráveis e selvagens aos olhos europeus. Dessa maneira, o europeu que colonizou nosso país criou uma nova cultura para o país, da maneira que ele achava mais conveniente, onde seu imaginário talvez pudesse rolar solto. Somos, portanto, resultado de uma invenção dos europeus; repetição do movimento de libertação da perseguição de seus próprios fantasmas.

Isso nos faz, enquanto brasileiros, ter compromisso de passar a imagem que o europeu criou pra nós, a imagem de exótico. E a busca por uma imagem autêntica, própria de nossa terra, sem mescla de imigração ou importação já não é de agora e já faz parte da dinâmica histórica e simbólica que nos constitui. Porém a nossa suscetibilidade de imagem não é ausência e deficiência, ela é também inclusiva e crítica.

A unificação de idéias ou de doutrinas diversificadas, a mistura de espécies diferentes e a crioulização, conseqüências da globalização, já haviam sido antecipadas pelo pensamento social brasileiro. Todavia, não devemos nos vangloriar disso pois a própria percepção da generalidade desses mecanismos globalizantes nos questiona quanto à construção de identidade que sempre fizemos, apoiados numa suposta particularidade “brasileira”. Teoricamente o ideal seria termos misturas e diferenças, não apenas observadas como coisa, mas, assim como a globalização, ser tida como perspectiva.

Definir onde se iniciou algo, ou citar a partir de qual ponto ou período começou algo deve ser relativizado, pois o processo de globalização se dá de diferentes formas em diferentes partes do mundo e seria um equívoco querer generalizar todo esse processo como se fosse homogêneo.

Um globalismo inepto e alienado parece tomar conta de diferentes discursos, inclusive de grupos historicamente vinculados a um projeto alternativo de sociedade. Na expectativa de uma “identidade global”, que espera que todos se mobilizem simultaneamente, mas que não se materializa a partir de nenhuma questão específica, vivenciamos uma imobilidade generalizada, onde ninguém se impulsiona verdadeiramente para organizar movimentos mais significativos de questionamento e de superação da ordem estabelecida. Por outro lado, o renascimento de um “nacionalismo radical” tende a realizar um corte na realidade societária que não mais se sustenta.

Enquanto espaço de resistência, o nacional só se justifica se conduzir a perspectivas mais amplas, mais dinâmicas, onde o momento supranacional contém, verdadeiramente, a potencialidade de significativas transformações societárias e cada vez mais nos faremos cúmplices – mesmo que involuntariamente, ou melhor, dizendo, automaticamente – da rede de contemporaneidades e convivências que continua a nos constituir, e a nos desfiar.

REFERÊNCIAS


BEZERRA, C. S. Globalização e Cultura: caminhos e descaminhos para o nacional-popular na era da globalização. Tese (Doutorado em Serviço Social) – Escola de Serviço Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.

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2 comentários

  1. Ola vim conhecer seu blog , muito ótimo o artigo , parece dominar o tema , alias uns dos maus preferidos em debates socias é sobre a globalização e seus efeitos na sociedade .Também estou seguindo seu blog

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