Opinião e Atualidades

Concurso Público #quemnunca?

terça-feira, outubro 15, 2013Roberth Moura



       Domingo eu fiz a prova objetiva, do concurso do INSS, para o cargo de psicólogo, mesmo faltando um ano e meio para a minha formatura. Quando as pessoas me perguntam por que eu estou fazendo este concurso eu respondo que é só para nível de experiência mesmo, coisa e tal. Mas lá no meu íntimo eu maquino que eu vou ficar no 4º ou 5º lugar e que só vou ser chamado para tomar posse do meu cargo no final de 2014, já com o meu diploma na mão. Ledo engano. 

E que atire a primeira pedra quem nunca sonhou ganhar R$7.000,00. (tomara que o Thor Batista não leia isto, se não eu vou morrer mais apedrejado que adúltera no velho testamento).

         Para este concurso eu não estudei uma linha sequer. Porquê? Simples. Em outro concurso para o Tribunal de Justiça eu estudei igual condenado, para ganhar uma merreca de dois mil e quinhentos reais e fiquei no ducentésimo quinquagésimo sexto lugar. E só havia 40 vagas. Se eu ficasse no quadragésimo primeiro lugar eu até que animava empurrar alguém da escada. Brincadeira, viu gente? Quando eu empurro alguém da escada eu não costumo postar no blog.


Brincadeiras à parte, isso me lembra do filme “O Corte” (2005), onde um homem desempregado resolve matar quem está em seu cargo em uma empresa e depois assassinar todos os seus concorrentes. Vale a pena assistir. Fica a dica.

Voltemos ao concurso do INSS. Como eu não havia estudado nada, responder as questões era muito mais fácil. Quando a gente sabe alguma coisa, na hora de responder sempre acontece aquele momento da dúvida existencial entre duas alternativas que aparentemente contém a verdade absoluta: “Ai, eu estou quase lembrando... Eu sei que eu estudei isso! Eu podia ter estudado mais. Agora é tarde....”. Aí marca uma questão errada que não tem nada a ver. Quando não se estuda, não se têm dúvida. Ou é pau ou é pedra. Ou é o fim do caminho.

Termino a prova às 16:00H, faltando uma hora e meia para ser liberada a leva do caderno de respostas. Como na vida real eu nunca tenho 1:30H livre, baixei a cabeça na mesa e comecei a colocar meus pensamentos em ordem. Nós, seres humanos, pensamos pouco e mal. E desse momento de quase epifania, emergem pensamentos que causam inveja até a um esquizofrênico delirante do fantástico mundo de Bob.

No meu pensamento eu sou produtor de uma série de sucesso para a Rede Record e fico famoso. Ou torno-me o escritor de livros mais vendidos do Brasil. Ou ganho na mega da virada. Ou morro e reencarno-me como neto-herdeiro do Eike Batista (eike riqueza! Ainda dá tempo!). Aí eu me atenho na parte da mega da virada e fico quase uma hora fazendo as contas hipotéticas “Se eu ganhar R$50.000.000,00 eu tenho que ajudar meus parentes também, porque eu sou uma pessoa altamente altruísta. Vou dar quinhentos mil para minha mãe e quinhentos para meu pai. 100 mil para cada um dos irmãos e 30 para cada um dos primos. Ah, não. Pensando bem, tem primos que são mais chegados que irmãos e tem outros que não me dão nem bom dia. Mas seu eu der mais pra um do que pra outro é capaz de causar intriga na família. Já sei! Para evitar confusão, não vou dar meu dinheiro para os primos, assim a família permanece em paz. A paz está acima de qualquer materialismo capitalista.”. E assim eu fico mais rico. Só que não. Aí dá 5:30H e todos os meus sonhos são destruídos.

É melhor eu calar a boca se não vou ficar até amanhã escrevendo aqui. Como a mega da virada é só dia 1º de janeiro, meus pais e meus irmãos vão ter que esperar mais um pouquinho para colocarem a mão no meu rico e suado dinheiro. Porque se depender dos meus sete mil do concurso todos nós iremos morrer de fome. A não ser que tenhamos vários filhos para ganharmos bolsa família. Mas isso já é outra história...



Leituras indicadas para quem gostou deste texto:

A entrevista de emprego: O relato da primeira e única vez que eu fui fazer uma entrevista de emprego, com mais de 100 pessoas. A cara da riqueza. Clique e divirta-se com as Peripécias Mercadológicas de Odacyr Roberth.

A bolsa de grife: o sistema – Como o capitalismo nos seduz de maneira sutil, prometendo curar todo o nosso mal-estar, fazendo-nos de seus escravos e mais do que isso, fazendo-nos gostar de servi-lo!

Muito além do existencialismo - O “subir na vida” posto em cheque. Qual a essência da sua existência? O que te traz felicidade? Você realmente é feliz? Leia e veja se vale a pena tanto sacrifício para nunca chegar no lugar que te faz feliz.


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2 comentários

  1. Conversei com uma moça hoje, no trabalho, que fez um concurso no último ano da faculdade por experiência, nem fez uma preparação específica. Hoje, 2 anos depois, tem um salário de R$8.900,00. Ela é enfermeira, e o concurso foi para o Governo do DF.

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    1. O sonho de consumo de todo mortal é ter a sorte e a inteligência da sua amiga! Quem me dera um dia...

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