Ótica Psicológica

A migração internacional, o retorno e a reinserção do emigrante retornado no seio familiar

quinta-feira, agosto 01, 2013Roberth Moura


      Os movimentos populacionais sempre fizeram parte da história da humanidade. O homem, desde os tempos primórdios, migrou em busca de comida, de melhores condições climáticas, fugindo de diversas outras condições aversivas, etc. Com o advento da globalização, contudo, o homem passa a migrar principalmente com o objetivo de conseguir melhores condições financeiras para si ou para sua família.


            No Brasil, a partir da década de 1960 (atingindo o auge na década de 1980), com a recessão econômica, inflações altíssimas, dentre outros fatores, a classe média encontrou dificuldades para manter seu padrão de vida aqui no Brasil. A solução encontrada por muitos deles foi a emigração. Convém ressaltar que a década de 1980 no Brasil foi marcada por significativas mudanças políticas, sociais e econômicas em decorrência do início do processo de abertura política após um longo período de ditadura militar. Neste período, denominado pelos economistas como “década perdida”, o país vivenciava, como ainda vivencia, grandes contrastes sociais e econômicos, onde a maioria da população não tem acesso aos bens sociais básicos como educação, saúde e habitação, tudo isso resultado de uma histórica má distribuição de renda.
            Antes de continuar falando sobre o assunto, é sempre bom revisar os conceitos de migração, emigração e imigração, conceitos estes que podem trazer muita confusão para o público não familiarizado a eles. Na perspectiva territorial, migração refere-se a qualquer movimento populacional ou individual: o indivíduo deixa determinado território para se estabelecer em outro. Pode ser considerada migração uma mudança de país, de estado, de cidade, de bairro, de rua, ou até mesmo de casa, numa mesma rua. Emigração consiste no movimento de deixar o país de origem para se estabelecer em outro país. É o movimento de saída (reparem bem o prefixo e). Já imigração, por sua vez, consiste no estabelecimento de uma pessoa em um país que ela escolheu para viver, que não seja o seu país de origem. É o movimento de entrada (prefixo i). Confuso ainda? Vou explicar em termos práticos.


Imagine que você, brasileiro, deixa o Brasil para estudar na Inglaterra. Aqui no Brasil você é considerado Emigrante porque está saindo do seu país de origem (Brasil) para se estabelecer em outro lugar (Inglaterra). Lá na Inglaterra você é considerado um Imigrante, porque você está entrando naquele país, vindo de qualquer outro lugar do mundo para lá se estabelecer. Universalmente você é considerado como Migrante pelo simples fato de fazer este movimento de sair de um determinado território geográfico para se estabelecer em outro. Há confusão entre os termos porque todo emigrante é um imigrante e também é migrante. Depende do prisma em que o fenômeno é analisado.


Muitos destes emigrantes deixaram no Brasil esposa e filhos à sua espera. O projeto migratório consistia, nestes casos, em ir para o exterior (geralmente Estados Unidos e Portugal), juntar dinheiro para comprar uma casa, um carro, fazer uma poupança para o estudo dos filhos, comprar uma pequena propriedade rural ou abrir seu próprio negócio no Brasil, e depois retornar. O que acontece é que muitas vezes estes emigrantes não conseguiam atingir os objetivos do projeto migratório no tempo planejado – o que girava em torno de 3 a 5 anos. Desta forma, ou eles prolongavam sua estadia no exterior, ou voltavam para casa com pouca coisa ou quase nada (em alguns casos com menos do que eles tinham antes, pois para financiar a passagem, os coiotes, os vistos falsos, etc., fez-se necessário vender ou penhorar seus bens já conquistados).

Continua...

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