Opinião e Atualidades Ótica Psicológica

A adoção por casais homossexuais na visão psicanalítica

sexta-feira, abril 19, 2013Roberth Moura




Encontrei o texto abaixo redigido na rede social de um psicanalista da minha cidade e achei o texto brilhante e por isso resolvi compartilhá-lo na íntegra, já que o autor não o publicou em seu site. Anteriormente eu já tinha escrito sobre o assunto em Adoção homoafetiva –análise crítica, onde a adoção por casais homossexuais é comentada pelo viés do senso comum, numa abordagem mais reflexiva do que informativa. Nessas condições um texto psicanalítico serve para informar e formar opinião dos leitores que buscam formação no assunto, com embasamento teórico. Segue abaixo o texto completo:





LUCAS, QUAL O SEU POSICIONAMENTO A RESPEITO DA ADOÇÃO DE CRIANÇAS POR CASAIS HOMOSSEXUAIS?


Ontem um leitor me fez esse questionamento. Compartilho com vocês abaixo a resposta que encaminhei a ele.

          Se afastarmos os argumentos morais e religiosos contrários à adoção de crianças por casais homoeróticos (que, por sua própria natureza dogmática, não podem ser refutados), o único questionamento que resta diz respeito aos possíveis prejuízos no desenvolvimento psicológico e, por conseguinte, na saúde emocional das crianças em questão.

    Pois bem, como ainda não existem pesquisas suficientes que avaliaram o desenvolvimento psicológico de indivíduos que foram adotados por casais homoeróticos, a única alternativa que nos resta no momento é fazer um exercício puramente intelectual sobre o assunto, apoiados tanto na experiência quanto na teoria.

          Nesse sentido, podemos começar afirmando o seguinte: não existe nenhuma pesquisa em psicologia que afirme que o desenvolvimento cognitivo de uma criança é determinado pela sexualidade dos pais. Em decorrência, o que os pais adotivos de uma criança fazem na cama não a tornaria mais ou menos dotada intelectualmente.

          A questão, então, poderia ser remetida ao plano do desenvolvimento emocional. Se considerarmos o simples e óbvio fato de que crianças filhas de pais heterossexuais adoecem emocionalmente, chegaremos à conclusão igualmente evidente de que a heterossexualidade dos pais (sejam eles adotivos ou biológicos) não é um fator que garanta a saúde emocional dos filhos. Em outras palavras, o fato de papai gostar de mulher e mamãe gostar de homem não é uma variável que determine o bem-estar psicológico de suas crianças.

      O mesmo argumento valeria para um possível questionamento acerca do desenvolvimento moral/ético das crianças. Na medida em que a imensa maioria de indivíduos com transtorno de personalidade antissocial (conhecidos popularmente como psicopatas ou políticos) foi educada por casais heterossexuais, pode-se concluir que a heterossexualidade dos pais não é um fator que assegure o saudável desenvolvimento moral/ético dos filhos.

Casal de lésbicas
       Frente a tais afirmações, um interlocutor renitente poderia ainda indagar: "Mas a ausência de uma figura masculina (nos casos em que o casal é constituído por lésbicas) ou de uma figura feminina (nos casados em que o casal é constituído por gays) não atrapalharia o desenvolvimento da criança?".

          Para responder a essa questão, poderíamos chamar todo um contingente de indivíduos que se consideram emocional e moralmente saudáveis e que foram criados em famílias monoparentais, ou seja, apenas pela mãe ou apenas pelo pai. Em tese, tais pessoas teriam se desenvolvido em ambientes sem uma figura masculina ou feminina.

          Por outro lado, podemos apenas recorrer à experiência pura e simples dos relacionamentos entre indivíduos homoeróticos. Invariavelmente (e isso não sou eu quem diz, mas eles próprios), na relação homoerótica existe aquele ou aquela que adota atitudes, posturas e comportamentos mais ativos, isto é, identificados com o que tradicionalmente se caracterizou ao longo da história como o "masculino" e aquele ou aquela que se posiciona de modo mais passivo (feminino). Portanto, ainda que os indivíduos sejam do mesmo sexo, sempre haverá uma figura mais masculina e outra mais feminina, não porque essa dicotomia estaria inscrita na biologia humana. Trata-se justamente do oposto: masculino e feminino não são classificações anatômicas ou biológicas (a biologia utiliza a distinção macho/fêmea). Masculino e feminino são categorias culturais que podem, no plano da experiência cotidiana, serem reduzidas (como Freud costumava dizer) ao binômio ativo/passivo.


         Concluindo, do ponto de vista da experiência acumulada até o momento pela ciência e das teorias elaboradas com base nessa experiência, não é possível afirmar que crianças adotadas por casais homoeróticos terão seu desenvolvimento psicológico prejudicado.
Lucas Nápoli
31 de março de 2013
www.lucasnapoli.com


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2 comentários

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