Filosofias e Reflexões Ótica Psicológica

O espaço de debates universitário: Quem convence ganha mais

sexta-feira, fevereiro 22, 2013Roberth Moura



Por entre o espaço onde transitam as ideologias filosóficas acadêmicas se encontra a ávida e feroz turma de psicologia. Nela, as discussões permeiam soltas, onde cada assunto polêmico é motivo para um alvoroço de opiniões, a grande maioria delas baseadas nas definições do senso comum, um verdadeiro exercício de "achologia".

No início do curso, naturalmente, eu achava essas discussões o máximo; afinal, havia acabado de chegar de um ambiente onde elas quase não existiam. Só que chega um momento em que você espera um pouco mais do curso. Espera-se que seus colegas amadureçam, que tragam consigo evidências científicas, perspectivas teóricas, pesquisas na área. Mas não. Tudo continua “na minha opinião, bla blá blá...”, como se ainda estivéssemos nos primeiros períodos e não nos últimos.


Não que opiniões não sejam importantes. É claro que são. Inclusive, eu pesquiso Representações Sociais, onde o construto do pensamento pessoal é de fundamental importância para a formulação de teorias na área da pesquisa. Mas daí a ficar durante 7 períodos em discussões que não levam ninguém a lugar algum, já é demais. Se eles pensam que esses debates não sistematizados vão promover alguma mudança efetiva, eu penso que estão muito enganados. Se essa mudança ocorre, acontece em passos tão lentos que é quase imperceptível notar alguma alteração. Cada um traz suas opiniões fechadas e lacradas e as vomita na roda de discussão. O padre, o espírita, o pastor, o agnóstico, o gay, o ateu, o pobre bolsista do Prouni.  Até os “mentes abertas” da turma querem impor sua opinião, querendo forçar a todos terem mentes abertas também, resistindo a aceitar o outro que não pensa tão abertamente quanto eles. E nessas discussões, vence quem fala mais alto.


Ressalto novamente que opiniões são importantes a partir do momento em que elas sirvam para encaminhar para a construção do saber científico – o que na maioria das vezes não tem acontecido. Vou inscrever todo mundo no programa da Cristina Rocha no SBT e deixá-los se digladiarem, para no fim, todos ficarem sem suas cabeças, perceberem-se sem razão nenhuma e sequer saberem o motivo inicial por qual começaram o supérfluo debate.
Afinal, quem convence ganha mais.

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