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A entrevista de emprego

sexta-feira, maio 18, 2012Roberth Moura

       Entrevista de emprego. Cerca de 50 pessoas na sala junto com você. Detalhe: todos tensos. Só você que não, pois afinal de contas não precisa disso mesmo. E exibe um sorrisinho de despreocupado, o que deixa quem está perto de você mais inseguro ainda. E você começa a olhar seus concorrentes e a analisá-los, de cima a baixo: “aquela ali de batom vermelho e rouge mal passado, nem sei o que está caçando aqui, coitada.” “Aquela de óculos de sol enormes acha que é madama; é provável que nem sabe escrever o próprio nome direito!”. Meros Mortais – pensa você – “Poderiam estar em casa assistindo “Maria do Bairro” e perderam seu tempo vindo até aqui pra disputar vaga comigo” (sorrisinho irônico no canto da boca).       

       “Olha só aquele ali! De tênis verde-restart, com toda aquela pose de playboy. Aposto à noite ele vende seu corpo!” E a acidez não pára por aí. “Aquela coitada ali tem cara de que tem 5 filhos pra cuidar e ainda pega 2 dos vizinhos pra ajudar o marido no orçamento”. É... você pensou isso sim. Que deselegante... mas vamos lá. E você continua a pensar e logo teme: “Oh! Mas eles não podem levar isso em consideração, se não eu perco meu emprego, já que não tenho uma formiga para sustentar!”. Mas não... deixa de besteira. Você é quase um Carlos Drumond. Você lê Shakespeare, Machado de Assis, Dostoievski... Até Luís Fernando Veríssimo você lê. E os outros não... Aquela menina cheia de espinhas mesmo tem cara de que fica no facebook noite e dia postando frases do Caio Fernando Abreu. E quando não está no facebook, está no orkut (é isso mesmo que você leu), assistindo Big Brother ou lendo a revista Veja e se achando o máximo.


       Finalmente chega a hora da entrevista. É uma conversa quase informal. Em nenhum momento você tem a chance de demonstrar o quão (pseudo) culto você é. Foi tudo em vão.


15 dias depois...


       O resultado! 1º ao 5º lugar: pessoas com cara de orkuteira e big brotheiras, 6º lugar: mãe de família, 7º lugar: rapaz que vende o corpo, 8º ao 10º: pessoas indicadas (via teste do sofá ou via “sobrinha” da irmã do chefe) que não precisaram fazer seleção. É pena que só tinham 10 vagas e você ficou em 11º lugar, ainda assim por que colocou como referência profissional aquela amiga do seu pai que tem uma empresa na cidade. Mas você pensa “ainda bem que não fiquei em último lugar. Seria tão mais vergonhoso...”. Ainda bem. O jeito agora é dar uma de Nazareth Tedesco escadas abaixo e garantir a sua vaguinha, por que se não você estará na boca da onça com os telemarketings do SPC... E a propósito, quem ficou em último lugar foi a Maria Bernardetty da Silva, aquela com poses de madama. Grandes coisas.

 




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