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AMIZADE: Reinvenção da vida

segunda-feira, maio 07, 2012Roberth Moura


        Num mundo cada vez mais aberto e conectado as pessoas tem muito mais chances de conhecer e estar perto do outro, de fazer amizades. Por outro lado, ela não segue ao encontro do outro sem tantas defesas, justamente por estar muito acessível, fazendo a vida de tornar cada vez mais solitária. Paradoxal, não? A reinvenção da vida poderia ser a solução para esse paradoxo.




       Na antiguidade os laços de amizades eram muito mais fortes, embora muitas vezes fossem equivocadamente associados à homossexualidade. Com o passar do tempo, já na Alta Idade Média, essas relações foram tornando-se intoleráveis, e a amizade foi-se então enfraquecendo no espaço público e tomando espaço no seio familiar – em especial na família nuclear – enquanto suas funções sociopolítica e cultural se mantinham ausentes.



       Surgem novas modalidades de relações amorosas à medida em que as sociedades ocidentais vão se tornando mais libertárias, inclusive a ampliação de possibilidade de configuração de família; e isso em grande parte foi fruto de lutas e manifestações por “amor livre”, “paz e amor”, etc. geradas pela insatisfação do modelo tradicional de vida institucionalizada. Com essas mudanças, as experiências relacionais da vida privada tiveram um novo significado, tornando os relacionamentos mais “abertos” ou descompromissados.




Laços e Cultura

        
Nesse ínterim, a homossexualidade ganha fora e começa a lutar pelos seus direitos em várias partes do mundo. As mudanças políticas e sociais deste final de século XX e início de XXI e as transformações vividas nas expressões relacionais privadas vieram a ressurgir a amizade como forma de sociabilidade, todavia com uma configuração diferente: uma mistura de afetividade e sexualidade; as repressões de afeto passam a constituir ameaças sob a forma de controle das manifestações sexuais, e é aí que a psicanálise. Contudo, a partir do metade do século XX a concepção sexual exclusivamente procriante e matrimonial, preponderante até então, passou a dar lugar a uma multiplicidade de experiências afetivas e sexuais, a uma ploriferação de inúmeros tipos de família.





Existência Libertadora



       O individualismo, então, obriga os cidadãos a buscarem novas experiências , sendo a amizade uma opção às imposições individualistas da sociedade ocidental. Nessa relação compensatória da amizade, Foucault ressalta a invenção de formas de vidas capazes de implementar uma existência libertadora, a transposição de amarras institucionais das relações, redimensionando suas vidas e criando estilos próprios de existência. Com tudo isso, a família vem sendo reinventada dando lugar a deslocamentos e transformações nas suas funções e papeis.




       Portanto, chega-se a conclusão que com o advento do capitalismo e as novas formas de viver e de expressar a individualidade o ser humano tem se fechado muitas vezes involuntariamente em si mesmo, embora as possibilidades de expandir e criar laços afetivos de amizade expandem-se cada dia mais. As relações parecem frágeis e superficiais, isso em grande parte pelo dia a dia cheio de tarefas e altamente estressante e cheio de imposições do sistema. Por outro lado, as sociedades tem se tornando mais libertárias e isso facilidade drasticamente o acesso ao outro; os recursos para se chegar ao outro estão cada dia mais presentes e sofisticados, diga-se de passagem. Mas por que isso não acontece? Seria o caos, onde o homem pensa apenas em si e esquece-se do quão importante são as relações humanas? Não temos a resposta a essa pergunta. Fica pronta para entrar em debate aqui no Peripécias Psicológicas!





Referência Bibliográfica:
PASSOS; Maria Consuelo. Reinvenção da vida. In: Viver: mente & cérebro: revista de psicologia, psicanálise, neurociências e conhecimento. São Paulo: Duetto Editorial, v.17, n.208, maio. 2010.


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