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Geração Canguru: análise crítica

terça-feira, março 27, 2012Roberth Moura

Geração Canguru é um termo relativamente recente, que diz respeito a um fenômeno social que vem ocorrendo nas últimas décadas, devido a inúmeros fatores sociais e culturais. Mas como isso se dá? Falaremos um pouco sobre isso.


 Dolto (1988) diz que a ansiedade que os pais apresentam em relação à saída dos filhos de casa já não produz mais o efeito inibidor que antes exercia. Se por um lado os pais antes apresentavam aos filhos essa necessidade de sair de casa como parte do processo de seu amadurecimento, por outro, hoje os pais estão “acomodados” e  preferem manter seus filhos por perto, ao alcance da vista onde eles se sentem mais seguros. Os filhos, por sua vez, aproveitam-se dessa permissividade do pai e vai prolongando sua estadia na casa do mesmo, pois neste ambiente ele encontra “casa, comida e roupa lavada”. Alí, não precisa se preocupar com contas, com segurança ou o que quer que seja: os pais estão muito melhor preparados que ele e resolve questões desse tipo. Assim, o filho fica livre para focar em seus objetivos e tem mais tempo para se estabilizar profissionalmente e socialmente.


            Só que essa nova configuração da família contemporânea, fenômeno conhecido como “geração canguru”, não ocorre de maneira igual para todas as famílias de uma sociedade. O capitalismo, assim como traz desigualdade nos aspectos social, econômico e cultural, também vai adentrar nas relações familiares e nortear a maneira como cada uma vai conduzindo seu modo de viver. Uma família de classe baixa, por exemplo, não terá condições de gerir vários “filhos cangurus”, que estão aptos para a vida profissional, mas ainda se sentem inseguros para uma vida própria, fora da casa dos pais. Esse fenômeno geralmente ocorre nas classes médias e médias alta, onde os pais têm condições financeiras de manter os filhos em casa mesmos estes estando em condições de trabalhar e até mesmo trabalhando, mas sem exigir destes uma postura mais responsável frente às demandas sociais.
Isto pode ser causado em parte pelo excesso de proteção dos pais para com os filhos. Muitas vezes os pais não querem que os filhos passem por aquilo que eles passaram, e para poupar acabam dando abertura para que esse comportamento ocorra. Outros fatores tais como o alto grau de investimento na vida profissional (graduação, mestrado, doutorado, especializações, etc.), a dificuldade de inserção no mercado de trabalho, o pouco valor atribuído à independência individual tornam-se facilitadores deste fenômeno social.
Morando com os pais depois dos 30


Dessa maneira observa-se que não existem culpados ou incocentes: este é um processo pelo qual passa a sociedade (ou como vimos parte dela) e no plano das relações interpessoais tudo pode acontecer.. Será que nossos filhos viverão situação semelhante? Seremos nós que estaremos saindo de casa? Será que tudo voltará a ser como antigamente? A sociedade está em constante metamorfose. A maneira como nos relacionamos com os que nos rodeiam agora poderá definir como agiremos no futuro. Resta esperar e analisar como será a nova configuração da família numa vindoura sociedade pós-moderna.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


DOLTO, F. A causa dos adolescentes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.

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