Filosofias e Reflexões

Conhecimento e Sabedoria

quarta-feira, março 07, 2012Roberth Moura

     A origem da palavra conhecimento é connaissance (palavra francesa que significa “nascer com”). Para Miguel Reale (2002) o conhecimento tem origem em três sistemas: empirismo, racionalismo e criticismo. No empirismo o conhecimento é dado pela experiência. No racionalismo o fato é preponderante à experiência, com ênfase na razão. Já o criticismo baseia-se na indagação para um estudo metódico.



            O conhecimento, portanto, é sempre uma relação ou um laço entre o sujeito que conhece e “algo” conhecido que denominamos “objeto” (REALE, 2002). Conforme Reale,

para que haja conhecimento é necessário que o sujeito esteja em intencionalidade de conhecer, assim como é necessário que exista algo que possa ser aprendido pelo sujeito. (REALE, 2002. p. 115)
           
O conhecimento é o pensamento que resulta da relação que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido. A apropriação intelectual do objeto supõe que haja regularidade nos acontecimentos do mundo; caso contrário, a consciência cognoscente nunca poderia superar o caos, ou seja, o conhecimento se refere também ao saber adquirido e acumulado pelo homem (ARANHA, 1993).


    Pelas definições que se tem visto até agora de conhecimento, é comum que se confunda conhecimento com sabedoria, mas essas são coisas bem distintas. Se prestarmos atenção, podemos verificar que a diferença é clara e visível.

O conhecimento, num resumo bem sucinto, é o somatório das informações que adquirimos. Podemos adquirir conhecimento sem sequer vivermos uma só experiência fora dos livros e das aulas teóricas. Podemos nos tornar cultos sem sairmos da reclusão de uma biblioteca. Já a sabedoria, por outro lado, é o reflexo da vivência, na prática, quer pela experimentação, quer pela observação, da utilização dos conhecimentos previamente adquiridos. De acordo com o dicionário Aurélio século XXI, sabedoria é prudência, sensatez, conhecimento justo das coisas, razão (HOLANDA, 2003). Ou seja, uma pessoa culta não é necessariamente sábia, mas uma pessoa sábia é relativamente culta em sua área de sabedoria. Para se ser sábio é preciso viver, experimentar, ousar, ponderar, amar, respeitar, ver e ouvir a própria vida. É preciso buscar, sim, o conhecimento, a informação e a cultura, mas também se deve ter a coragem de experimentar a vida para através da experiência adquirir a tão desejada sabedoria.

REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lúcia Arruda. Filosofando: Introdução à filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993.

REALE, Miguel. Filosofia do direito. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

HOLANDA, Aurélio Buarque de. Dicionário Aurélio Século XXI. 3. ed. São Paulo: Nova Fronteira, 2003.

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