Ótica Psicológica

Psicólogo, psiquiatra e psicanalista: como diferenciar de acordo com J-D. Nasio

segunda-feira, fevereiro 13, 2012Roberth Moura

É verdade que para o leigo a distinção entre esses três profissionais nem sempre é fácil. Eu lhe diria que o psicólogo é um universitário que obteve um diploma de psicologia. Ele pode atuar em numerosos setores, como a escola, a empresa, o hospital público ou psiquiátrico, a prisão, a maternidade, a creche etc... Pode também receber pacientes em seu consultório e praticar tratamentos seguindo diferentes métodos terapêuticos, entre eles a psicanálise.



Já o psiquiatra é um médico especialista que cuida dos pacientes psicóticos, depressivos ou neuróticos, no âmbito institucional ou liberal. Pode receitar remédios ou escolher o tratamento pela fala segundo os princípios da psicoterapia ou da psicanálise. Acrescentaria que outras pessoas que seguiram inicialmente estudos superiores sem relação com a psicologia podem depois se formar na psicanálise e conduzir tratamentos analíticos.
Mas tanto faz: sejam psicólogos, psiquiatras ou clínicos oriundos de outros horizontes, eles somente podem exercer a psicanálise sob as seguintes condições: ter concluído uma análise pessoal, ter estudado longamente os textos fundadores da psicanálise e referir sua prática a um colega veterano que controla e garante a qualidade do trabalho com os pacientes. Observe a propósito que o psicanalista é um dos raros profissionais que, durante os dez, diria até os vinte primeiros anos de sua atividade, apresenta semanalmente a um supervisor um relatório detalhado das análises que dirige. Em suma, a psicanálise é uma prática terapêutica que pode ser exercida por um psicólogo, um psiquiatra ou qualquer outro profissional que satisfaça a essas três condições.


Acabo de dizer que a psicanálise é uma prática terapêutica, mas, atenção, ela não é por isso uma disciplina médica. O psicanalista é certamente um clínico atento aos sintomas psicológicos, até mesmo somáticos, quando estes exprimem um conflito pulsional, porque ele sabe o quanto o corpo é um notável ressonador do inconsciente, mas não age como médico. Não prescreve psicotrópico s, embora conheça suas indicações. Seu conhecimento dos medicamentos — mesmo parcial — lhe permite falar uma linguagem comum com outros profissionais da saúde quando, por exemplo, está acompanhando o tratamento de um analisando que deve ser hospitalizado. Insisto, a psicanálise não pertence ao domínio da medicina, mas o número significativo de pacientes que atualmente vem nos procurar mesmo seguindo um tratamento medicamentoso nos obriga a nos manter informados sobre as últimas pesquisas psicofarmacológicas.



Ora, para além de sua ação terapêutica, a psicanálise sempre foi atravessada por múltiplas correntes culturais e sociais, e, inversamente, há cem anos não cessa de influenciar os diversos círculos da arte, da literatura, da filosofia e da sociologia.
Ela definitivamente marcou o setor da educação ao permitir um melhor conhecimento da psicologia da criança, e contribuiu ativamente para o desaparecimento dos asilos psiquiátricos, reconhecendo ao doente seu status de pessoa.

Referências Bibliográficas: NASIO, Juan-David. Um psicanalista do divã. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003. 150 p.

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4 comentários

  1. Ótima postagem, esclarecedora. Um abraço!

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  2. Dizem que todo blog tem um pouquinho do seu autor, e é sempre bom fazer o que gostamos...sucesso com seu trabalho...abraços.

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  3. Obrigado Bia e Silas! É sempre bom saber que meus textos agradam! E sim, o blog revela muito de mim, traz à tona muito do que eu sou, fui, e pretendo ser. Valeu mesmo pela força. Abraços!

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  4. Ótimo blog. Muito criativo e inteligente. Abç

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