Ótica Psicológica

Esquemas de reforçamento

quarta-feira, fevereiro 15, 2012Roberth Moura



Em qualquer ambiente de um lar normal é extremamente improvável que qualquer comportamento seja reforçado (positiva ou negativamente) toda vez que ocorra. Os pais nem sempre estão por perto no momento crucial e também não conseguem ser completamente consistentes em suas próprias reações. Por exemplo, um dos pais pode estar bastante inclinado a tolerar e a encorajar comportamentos de auto-ajuda quando está sem pressa ou quando está se sentindo calmo e paciente. Mas, ele mesmo, em outra ocasião, pode ralhar com a criança por ter ido tão longe. O que resulta deste tipo de inconsistência ou desse reforçamento apenas intermitente?
Extensivas pesquisas com animais, bem como trabalhos com seres humanos, mostram que os comportamentos uma vez estabelecidos, podem ser mantidos por longos períodos de tempo, com reforçamento apenas ocasional. De fato, tais respostas intermitentes reforçadas persistem mais tempo após o reforçamento ter cessado completamente do que as respostas que sempre foram reforçadas. Na linguagem técnica da teoria da aprendizagem, as respostas parcialmente re forçadas são mais resistentes à extinção.

Esquema de reforçamento
Há muitos padrões possíveis de reforçamento parcial, cada um dos quais tem efeitos suavemente diferentes sobre o desempenho. Nós podemos, por exemplo, reforçar uma criança (um rato ou qualquer outra coisa) a cada dez minutos ou com qualquer outro intervalo de tempo. Este programa é denominado um esquema de intervalo fixo e resulta em um pronunciado aumento no comportamento, exatamente antes do intervalo ocorrer. Por exemplo, se se dá uma bolinha de alimento a um rato a cada dez minutos, por este pressionar uma barra, o rato irá pressionar a barra muito mais freqüentemente por volta de reforçamento e, depois, a freqüência de pressão irá diminuir muito, até um pouco antes do período do décimo minuto, quando a freqüência aumentará novamente. O mesmo tipo de efeito pode ser visto numa criança que está acostumada a fazer um lanche todo dia após a escola. Em outros momentos do dia o pedido de comida entre as refeições principais não tem sucesso, mas após a escola a criança é reforçada por pedir. Eventualmente, a criança não irá mais pedir comida em outros momentos e seus pedidos continuarão a ser feitos apenas após a escola.

criança comendo

Um esquema mais comum de reforçamento parcial, ao menos em situações familiares, é o esquema de intervalo variável, no qual os pais gratificam um determinado pedido de vez em quando, mas não com uma base previsível. Um esquema desse tipo, com sua imprevisibilidade, tende a gerar uma persistência contínua do comportamento. Lamúrias, por exemplo, podem ser mantidas exatamente por este esquema. A maior parte do tempo os pais resistem às lamúrias mas, ocasionalmente, quando eles não podem mais ouvir os sons da voz chorosa nem um minuto sequer, eles dão o que a criança está querendo e, assim, reforçam e perpetuam esta resposta.
A importância do efeito do reforçamento parcial consiste não apenas no fato de que os esquemas parciais sejam comuns nas situações naturais, mas também que eles ajudam a explicar como os comportamentos podem persistir por longos períodos, sem um reforçamento aparente. Seguida de uma conseqüência desagradável (um reforço negativo, como uma palmada, repreensão, retirada de alimento), então o comportamento que provocou a reação desagradável terá menor probabilidade de ocorrer novamente nesta situação.
Os pais usam constantemente os princípios do condicionamento operante; eles agradam a criança quando ela faz algo que eles querem e a punem quando ela faz coisas que eles não gostam. Ao mesmo tempo, freqüentemente os pais fazem mal uso do condicionamento operante, embora isto não seja intencional. Muitos pais, por exemplo, julgam que a necessidade de atenção com o comportamento de se agarrar é bom a um ano e meio de idade mas, irritante aos 3 anos. Assim, quando uma criança de 3 anos entra na cozinha quando sua mãe está preparando o jantar e diz “Mamãe” repetidas vezes, a mãe pode não responder nas primeiras vezes. Após três ou quatro pedidos de atenção, a mãe, com irritação, pode dizer algo como “Bem, tá bom! O que você quer?“ Embora sua voz possa ter um tom desagradável, ela deu atenção à criança e se tal atenção é um evento positivo para a criança então a repetição dos pedidos foi reforçada, A mãe pode estar convencida de que não deu tanta atenção à criança, que ela está tentando extinguir o comportamento querer atenção, mas de fato, ela o fortaleceu.
Um último ponto deve ser dito a respeito do condicionamento operante, neste estágio inicial. Há algum risco de que eu lhe tenha dado a impressão de que o condicionamento operante sempre requer algum agente externo, como um dos pais ou um professor para reforçar a criança positiva ou negativamente. De fato, é claro que isto não é necessário. Há conseqüências positivas e negativas que a criança cria em si própria que têm o mesmo efeito sobre o comportamento.


Se uma criança, enquanto brinca com seu irmão menor tira-lhe um brinquedo, este comportamento é reforçado pelo prazer que ela consegue ao brincar com o novo brinquedo. Do mesmo modo, quando uma criança faz algo que resulta num traumatismo físico (como cair de um balanço ou de uma árvore) o “machucado” age como um reforçador negativo. Os pais e educadores podem controlar alguns reforçadores e fazendo isto sistematicamente podem alterar o comportamento da criança em muitos aspectos, mas nem todos os reforçadores estão sob o controle dos adultos.

Bibliografia: BEE, Helen L. O ciclo vital. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. 656 p.

You Might Also Like

0 comentários

Flickr Images

Formulário de contato