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O grande reencontro

segunda-feira, janeiro 09, 2012Roberth Moura

Encontrar-se com um conhecido de longa data, como um colega do ensino médio, por exemplo, e o assunto acabar com menos de um minuto, momento mais constrangedor, impossível. Na verdade é MUITO constrangedor. Imagine: a conversa toda se resume aos tempos de colégio, a única coisa que vocês ainda tem em comum. Agora tomaram rumos completamente diferentes, e um reencontro que inicialmente pode proporcionar uma sensação de prazer, se prolongado gera uma sensação oposta.

O fato é que, por mais que vocês tenham feito trabalhos juntos, dormido um na casa do outro, ido a balada juntos e tudo mais, agora você faz psicologia e ele engenharia sei lá das quantas. Você mora em Governador Valadares e ele em Angra dos Reis. Ambos conhecem inúmeras pessoas diferentes, abrem suas mentes, mudam os hábitos, alguns valores e costumes a ponto de quase se tornarem outras pessoas.
E quando é natal ou outro feriado qualquer, todos convergem para a cidade de origem, que, por sua vez, também mudou embora não tanto quanto vocês. E como vocês tem inúmeros amigos em comum (se bobear, são até primos em 3º ou 4º grau), o encontro é inevitável. E a calorosa conversa se resume a:

− Oi! Quanto tempo! E aí, o que você tem feito da vida?
− Estudando todo dia. E você?
− Eu também. Continua pegando todas as gatinhas como nos tempos de colégio?
−Rapaz, não fala isso alto não.  (agora o ápice da euforia, quase que sussurrando ao pé do ouvido do amigo). Eu engravidei uma colega de turma e o pai dela me fez casar com ela. Sabe como é que é, esses pais conservadores.
− É... (com olhar nostálgico no infinito intercalado por cara de “você tomou no forébs, mas eu sou feliz”) (depois de cinco minutos com essa cara, comenta) Bons tempos aqueles.
·         5 minutos depois.
(.....) (grilo cantando cricri. Ambos ficam com a cara no infinito – de bobo alegre – relembrando seu tempo no colegial)
·         10 minutos depois
(....) (orquestra sinfônica de grilos cantando cricri)
·         15 minutos depois
(...) (grilo cansado foi pra casa dormir)

CARA DE LÁPIS do 10º ao 15º minuto.
Cara de lápis

Olhar no infinito de ambos some e volta-se à realidade:
− Nossa, cara, foi muito bom ter conversado com você. Boa sorte com a esposa e o filhão.
− Obrigado. Boa sorte você também, mas... não foi menino que nós tivemos não.
− Não? Uma princesinha então.
− Não necessariamente. Na verdade são trigêmeas.



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