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O fantástico segredo do Dr. De La Vega

terça-feira, janeiro 03, 2012Roberth Moura



Pessoal, eu estou postando a minha primeira peça teatral. O texto está ainda em fase de transformação: quero receber opinião de todos os leitores de todo Brasil (e do mundo!) - uma fala que poderia ter sido mudada, uma piada que poderia ter sido adicionada, uma música que se encaixaria melhor na peça... Enfim, toda opinião é bem vinda.



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O fantástico segredo do Doutor Carlos Armando De La Vega


Um dramamédia escrito por Roberth Moura

            Para reproduzir a obra em qualquer espaço, favor comunicar-me via e-mail (odacyrroberth@gmail.com), para que eu posso enviar-lhe a autorização. É proibida a cópia ou reprodução parcial ou integral sem a devida autorização, de acordo com a LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.

Peça montada pelo grupo Gatoa, de Portugal


Trilha sonora

(devido a problemas de template do blog, a peça torna-se melhor lida em PDF. Para baixá-la no 4shared, clique no link a seguir e tenha uma leitura muito mais agradável O fantástico segredo do Doutor Carlos Armando De La Vega.


Sugestão de músicas enquanto as pessoas estão se acomodando em seus lugares:
1.    1. La Usurpadora – Pandora
2.    2. La descarada – (tema de Rubi)
3.    3. 5ª Sinfonia de Beethoven completa
4.    4. Maria do Bairro (abertura)

Todas as atuações devem ser exageradas, assim como acontece nos dramalhões mexicanos.


(Soraya Montenegro tocando baixo o tempo todo)
(Um senhor de meia-idade está deitado em sua suntuosa cama, sentindo moderadas dores)
Eulália: (correndo e ofegante) Senhor, acabou de chegar uma carta de Souborne! E é dela! Tome senhor!
Dr. De La Vega: (quase sem forças na voz) Leia para mim Eulália. Não vê que esta doença maldita já tirou toda minha força que restava? Não percebe que já estou fraco e doente e que todas as minhas alegrias o vento levou? Não percebe que o espírito do... hã, como podemos dizer assim... “Bráulio”, é isso! Não percebe que o vigor do “Bráulio” já não está mais entre nós? Vamos... leia-a para mim!
Eulália: (imitando a voz de Melanie) “Pai, estou retornando. Após 3 anos aqui estudando, decidi que não quero mais ser estilista. Quero mesmo é ser esposa de jogador de futebol. A gente não faz nada e fica muito mais famosa. Por isso estou abandonando tudo aqui  e voltando para casa. Em uma semana eu chego! Beijos. De sua querida filha Melanie”
(O senhor fica inquieto na cama e começa a suar intensamente)
Eulália: (preocupada) O que houve Senhor?
 (toca-se Soraya Montenegro alto)
Dr. De La Vega: (com o coração cheio de ódio) Aquele demônio vai voltar! Ela quer acabar de me matar eu sei que é! E quer ficar com todo o meu dinheiro! Depois que a mãe dela morreu ela é a minha única herdeira! Mas ela não sabe de uma coisa...
Eulália: Do que ela não sabe?
Dr. De La Vega: (tossindo e reclamando da dor) Eulália, eu estou à beira da morte. Mas essa menina não pode ficar com o meu dinheiro. E nem vai. Durante toda a minha vida eu escondi um segredo. (6 segundos da 5ª Sinfonia de Beethoven, doravante denominada “batida”) Envergonho-me disso, mas não resta saída. Quero expurgar-me de todos os meus pecados e pelo menos uma vez na vida, fazer justiça. Vou te contar o segredo (batida) que me atormentou por toda a vida. (neste momento Eulália chega a cabeça para mais perto do ouvido do senhor para tentar ouvi-lo melhor). Melanie... oh!... Melanie não é... Eu não sou... (respirada profunda e exagerada) Oh! Eu e Melanie... Nós somos... Não, não... Nós não somos...
(Neste instante ele começa a tossir e a agonizar dor. Eulália fica desesperada, tentando fazer algo para ajudar, mas é tudo em vão. Ele para de agonizar.  Eulália sobe na cama, sobe em cima dele e fica fazendo massagem cardíaca pra ele voltar a respirar. Por um instante, pára de fazer massagem, levanta as mãos pra cima e grita)
Eulália: Não! Nããããããããão! Ele está morto.
Dr. De La Vega: (sussuro fraco e rouco, com a cabeça semi levantada) Mas eu AINDA não morri...
Eulália: (dá-lhe um tapa na cara) Cala a boca velho safado que quem sabe dessas coisas sou eu. Eu fiz curso técnico em enfermagem, eu sou uma mulher de canudo. Cadáveres não sabem de nada.
[E continua a fazer massagem cardíaca pra ele voltar a respirar, e cada vez mais forte. Como não dá resultado, ela o esmurra, dizendo “reage! Respira! O ar é de graça!”. Com tantos murros ele acaba morrendo e quando ela vê que não tem mais jeito (A cura), se indaga]
Eulália: O que será que ele queria dizer? Que segredo (batida) é esse?
Neste momento, misteriosamente, a mão dele cai da cama, e a palma se abre e um papel cai no chão. Eulália pega-o, lê e faz uma cara de assustada:
Eulália: Não pode ser! Não pode ser!
(jogos mortais – início, com a luz se apagando lentamente +- 25 seg. e durante o Black out até entrada de Melanie)


Black Out 10 segundos


Melanie: [chegando de repente (arrebenta), toda sorridente, sambando até] Pai, cheguei! Trouxe presentes para todos. (e começa a falar com seu pai, mas fala mais para si mesmo). Sabia pai, que eu conheci um cara lá na França? Ele é um bofe! Ele é jogador de futebol e ganha milhões por mês. (na maior hipocrisia) Mas não pense que eu fiquei com ele só por que eu sou interesseira não, pai... Sabia, que ele até queria me levar pra cama! Ai, gente, como eu sou gostosa (dedinho na boca seduzindo, por 5 segundos, depois faz tssssss na coxa). (caindo a ficha de novo – falando para o público, como se estivesse refletindo consigo mesma) Nossa, nem acredito que estou falando isso perto do meu pai.  Se o meu pai está pensando que eu fui embora só pra cair na vida ele está paralelepipedamente enganado, por que antes de eu já ir embora eu já tinha caído na vida há muito tempo, ririririri!. (agora para o pai, com cara de inocente) Pai, não acredite em nada que este povo fofoqueiro, hipócrita e odioso vier te contar. Eu estou intacta: nenhum homem jamais me tocou (vira pro público e coloca o indicador na boca). Só não mando o senhor me levar ao médico e fazer exame por que... bem (pensando numa desculpa)... Ah! Porque semana passada aconteceu uma tragédia: eu estava andando de bicicleta pelas suaves ruas de Paris quando de repente caí de bicicleta e por ironia do destino estava carregando um cesto de bananas; voou banana pra tudo quanto é lado, até em lugares onde o senhor jamais iria imaginar, pai. Eu juro. (dedo na boca de novo, seduzindo). Então pai... Não vai me dizer nada? (silêncio – ela se aproxima do pai). Pai? (...). Pai!
Melanie: (terremoto +- 20 seg.) (caindo a “ficha”, quando percebe seu pai duro na cama) Pai... O que aconteceu com meu pai Eulália? (correndo pra perto do pai, desesperada) Pai fala comigo pai!
Eulália: (cara de “o que está acontecendo aqui?”) Mas de onde você surgiu? Você não estava na Europa? Que bagunça é essa?
Melanie: Não me faça perguntas tolas a esta hora do dia Eulália (diz austera). Não vê que meu pobre pai morreu e agora nada mais me resta neste mundo, além das suas ações na Petrobrás, na Vale, suas 4 fazendas de gado e soja no Matogrosso, seu apartamento no Central Park,  sua mansão em São Paulo, seus dois jatinhos, seus 5 helicópteros e uma seguro de vida de 50 milhões de dólares, mais uma pensão vitalícia de U$47.532,92 por mês? (E cai no choro) Fala comigo pai... Oh, papaizinho querido... Não me deixa sozinha neste mundo horrendo... Oh! Vida cruel! Por quê??? Por quê, meu Deus? Será castigo? Eu não queria que a banana entrasse, mas ela foi atrevida. Faz ele viver de novo. Eu prometo vender meu carro e dar o dinheiro aos pobres. (Ela pára de chorar e olha pra ele e não vê sinal algum. Volta a chorar pra Deus:) Eu prometo dar as ações da Vale! (uma mão tem um lapso de mexida. Melanie, testando até hoje pode “ressuscitar” seu pai, diz:) Oh, minha nossa senhora dos desesperados, eu prometo vender TUDO que eu tenho e dar para a caridade! (Neste momento seu pai toma uma golfada de ar, e num impulso ergue sua coluna)
Melanie: (rapidamente) Ahá! Tudo JAMAIS! (e seu pai cai duro de novo. Logo ela se arrepende, volta ao pai e diz) pai... Volta pra mim! Oh, meu Deus! Eu dou tudo!
Eulália: Seu pai nunca mais vai voltar. Isso não aconteceu por causa das suas promessinhas capitalistas. Isso que aconteceu foram apenas espasmos causados por reações químicas e que pode fazer o sujeito mexer o dedo, puxar a perna ou levantar o braço. Isso caiu na prova do meu curso de técnico de enfermagem e a Berê me passou esta cola, há! Eu sou uma mulher de canudo. Eu sou demais!
Melanie: (rancorosa) Vamos, saia daqui, deixe-me ter um momento sozinha com meu pai. E agora que ele morreu você pode pegar as suas coisas e ir embora. Não sei por que ele te aturava aqui. Deve ser por causa da sua mãe. Desde criança eu não suporto você, só não te dizia para não magoá-lo. Mas agora que ele morreu, eu não quero te ver nem pintada a ouro. Suma da minha frente, estrupício.
(Eulália se aproximou com uma cara de cão sem dono e veio tentar afagar os cabelos de Melanie)
Melanie: (afastando-se bruscamente e a repreendendo) Eu não quero toque nas minhas coisas. Suas mãos fedem. (Diz isso dando um tapa na mão da Eulália.)
Eulália: [com cara de eu sou a poderosa, em tom de agora eu mando e você obedece (pobre com poder nas mãos)] Isso era tudo que eu precisava! Precisava confirmar o que eu já suspeitava. Pois saiba Melanie Olsen Brudovik de La Vega Bracho Farina Hamilton Riviera Kennedy o que seu pai escreveu para mim:
Melanie: (em tom de escárnio) E o que ele poderia escrever pra você, uma simples Maria ninguém?
­ Eulália: (no tom mais altivo de pobre) Leia você mesma, pedaço de animal herege!
(música de psicose) (Melanie pegou o papel e aos poucos sua expressão foi mudando para de assombro, à medida que a expressão de Eulália ficava eufórica de prazer)
Melanie: Não, isso não!
Eulália: Sim! Isso sim!
(batida)
Melanie: Não, não, não!
Eulália: Sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim... (a boca de Eulália começa a espumar de tanto sim que ela fala e ela começa a entrar em histeria).
Melanie: (dando-lhe um tapa na cara) Reage estrupício!
Eulália: Obrigada (voltando ao normal). (voltando a ser altiva) E então o que acha do escrito?
Melanie: Nada de mais. No papel só está escrito...
[quando ela vai pra contar, o telefone toca, impedindo-a de continuar (Tem pobre ligando pra mim). Eulália vai atender]
Eulália: Amiga é você? .(...) Sim (...) hum (...) E mataram-no? (...) Amiga, me conta o bafo? Mataram seu namorado aí do Santa Paula? (...) Espera aí, deixa eu entender. A esposa dele matou o pobrezinho só por que ele te levava pra cama dela quando ela saía pra trabalhar, vendendo DVD pornô pirata? (música plantão globo) (...) Que babado! Quer dizer então que a polícia meteu o cacete nela, aí ela chegou mais cedo e te pegou no flagra! (...) Que bafo... Você é claro fugiu e deixou o pobre apanhando. Que mulher cruel, que mundo injusto. (...) O QUÊ? ELA ES-TU-PROU antes de matar? Como assim? (...) Meu Deus, só por que descobriu que você é travesti! Mas que mulher preconceituosa. Denuncia ela amiga! Você ainda ganha uma grana em cima disso! (...) – Melanie faz sinal pra ela andar logo – (...) CABO DE VASSOURA? Não acredito. Amiga vou ter que desligar, por que eu tenho um assunto pendente aqui pra resolver. Mais tarde te ligo. (...) Ligar pra casa da sua patroa? A cobrar? (...). Ok. Beijos.
Eulália: Tá bom, desculpa. Era a Berê. Mas onde é que nós estávamos mesmo?
[fala em tom de deboche e visível exagero ¾ Na revelação do grande segredo (batida). É agora ou nunca! (som de psicose)]
No papel estava escrito:
“Ligue para 9090-80557185”

Melanie: Deixa que eu ligo! (discando o número) (toca a música do chamada a cobrar) Alô? Quem fala? (...) testamenteiro? Meu pai deixou um testamento? Mas como assim? Eu sou a única herdeira dele! (Eulália faz cara de “coitada! Ela que pensa! Eu sou poderosa!”). Oh, vida! Oh, dor!  Venha logo abrir este testamento! Estamos te aguardando ansiosamente!

Black Out 10 segundos

(algum tempo depois, estão em cena o testamenteiro, sentado em uma cadeira, Melanie, sentada ao lado do corpo de seu pai, e Eulália, em pé, ansiosa pela leitura)
Testamenteiro: Bom, antes de morrer, o senhor De La Vega disse era pra abrir o testamento na presença das duas. E não é que o destino as uniu na hora certa novamente?
Melanie: (revoltada) Mas por que esta infeliz deveria estar aqui? Eu já a expulsei da minha casa e não sei por que ela insiste em ficar perto de mim!
Eulália: Cale-se! (virando-se para o testamenteiro) Leia depressa!.
Testamenteiro: (abrindo o envelope lacrado) “Melanie, eu tenho um grande segredo para te revelar (batida). Fui covarde por te contar isso só depois da minha morte, mas você não é minha filha! Minha verdadeira filha é Eulália, filha que eu tive com a empregada.”
Melanie: (ataques de nervosismo, simulando ataques cardíacos com a mão) Oh! Como você pode fazer isso comigo! Logo eu que fiz tantas coisas boas por você, que dei minha vida várias vezes por você como, por exemplo... (tenta se lembrar de algo)... bem, aquele dia mesmo, que... (não consegue se lembrar e tenta enrolar) .... er... Como naquela vez em que... Ah, deixa pra lá. Não tem importância! Nada tem importância agora! Vou ter que dividir a minha herança com Eulália... (buááááá) Oh! Eu não mereço!
Testamenteiro: (irônica e impacientemente) Posso terminar de ler o testamento, por favor?
Melanie: (snif) Prossiga, por favor.
Testamenteiro: “Você é na verdade a filha da primeira empregada com o varredor de rua, mas sua mãe morreu no parto e eu e minha esposa resolvemos te adotar. (ação) Por isso TUDO que eu tenho fica para Eulália, inclusive minha dentadura de ouro (O testamenteiro começa a dar ênfase, como se fosse ele próprio falando), suas jóias, seus livros da Universidade e até suas calcinhas! Tudo comprado com meu dinheiro fica aqui! (A ênfase do testamenteiro começa a assustar) Você é uma vadia! Só sabe gastar! (ele para de ler o papel e fala por si só) Você não presta, você é uma pé-rapado! Rárá vai arrastar na sarjeta agora!” (ação acaba aqui)
(E ele pára para tomar um fôlego. Melanie arregala os olhos, mas não diz nada. Depois volta-se para o corpo de seu pai e começa a bater nele)
(Paola Bracho)
Melanie: Por quê! Por quê? Não! Nããããããããão!
(Eulália solta a gargalhada de Paola Bracho e o testamenteiro também e ninguém entende por quê)

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Intervalo Comercial – na frente da cortina

Qualquer bobagem sobre o que se passa na Tv, como “colgate, 99% dos dentistas recomenda. O meu nunca recomendou. E o seu? (pergunta pra plateia)” ou “Mamãe, eu posso limpar a casa por você, posso até ir ao supermercado por você, mas tem uma coisa que eu não posso fazer por você. (coloca o dedo na boca, como se estivesse seduzindo), pois é... você sabe o quê” e mais dois minutos de advinhar a palavra, tipo “PÁRA TUDO, eu não acredito que você não sabe essa palavra. O diretor está falando: 5 mil reais o prêmio...” e também “mande uma mensagem para 45058 e concorra a um carro, uma casa e 500 mil reais. Mas saiba que as chances de você ganhar são mínimas e que nós vamos comer todos os seus créditos. Mas sonhe! Assim como um bom pobre...” E etc.

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[(musica de Adeus do Chaves) Melanie está com uma trouxinha de roupa, sem nenhuma jóia no corpo. Eulália está maquiada (exarcebadamente), toda cheia de jóias e salto 20 cm.]

Eulália: (altiva) Vamos, dá linha da minha frente. Agora é tudo meu. Essa casa é minha, esse chão é meu, esse ar é meu. Tudo meu. Sua necrofilada, ignóbil! Pobre, morta de fome! Sudoripatizada! Recalcada! Mal-amada! Rárárá, como é bom estar por cima. Vamos vazando...
[ (aumenta a música do Chaves) Melanie olha toda a cena, nostalgicamente, Deixa sua trouxa em cima da cama, mas e toca nas paredes e nos quadros que um dia foi dela. Sai deixando tudo para trás e triste e lentamente vai saindo do quarto enquanto Eulália dá exageradas gargalhadas de Paola Bracho.}
Eulália: Rárárá... Sou poderosa mesmo!
[(O sarcófago – até Eulália acabar a sua fala) Quando Melanie sai por completo Eulália dá a louca de personagem de novela e começa a falar sozinha (assim como eles fazem), vai pra frente do palco e começa a falar com o público, como se estivesse falando para as câmaras]
Eulália: Coitada dela (risadas da Paola) não sabe o que aconteceu de verdade. (Melanie, que havia esquecido sua bolsa, entra triste no palco e sem fazer  barulho – mas sem intenção de não fazê-lo – e vai para trás da cama pegar sua trouxa, quando depara com Eulália falando sozinha e resolve ficar quieta e ouvir). Há tempos que EU vinha colocando chumbinho no café do pai dela e ele nem reparava. (risadas) Nem filha dele eu sou. Na verdade, nem de verdade aquele testamento era. Como ela foi ingênua de aceitar tudo isso! Eu mantive por anos um caso com o testamenteiro e nós dois resolvemos dar o golpe no senhor De La Vega. (Melanie espanta-se e fica em cólera lá atrás, mas aguarda Eulália acabar de falar) Forjamos sua assinatura, planejamos o assassinato e agora eu sou rica! Rica! (risadas bem altas). Nada, nem ninguém poderá deter a poderosa, A poderosa “Eulália De La Vega”
 (jogos mortais – início; só acaba quando a briga acaba, ficando mais baixo durante os diálogos)
Melanie: (saindo de onde estava, seguindo em direção de Eulália) Você matou meu pai sua vadia!
Eulália: Mas... De onde você surgiu? (com cara de medo)
Melanie: Não importa. Agora eu sei de toda verdade! Você é podre! Você fede a cocô de neném! Você... (procurando palavras feias para xingá-la). Eu não tenho nem palavras pra descrever você. Você é uma cachorra! Pior, você é a pulga do pêlo da cachorra. Pior, você é a bosta da pulga do pêlo da cachorra! Pior! Você é a bactéria que se alimenta da bosta da pulga que está no pelo da cachorra! Pior! (...) (fica sem fala) Não... não há nada pior do que isto.
Eulália: Melanie... meu amor... não é nada disso que você está pensando... (quase chorando de medo). O que você vai fazer comigo?
Melanie: Eu vou acabar com você. (Cara de medo de Eulália) Eu vou bater em você até tirar seus bofes pra fora (Eulália com cara de cara de “ãnh”?). Eu vou te surrar até você urinar nas calças. (Melanie mais veemente) Eu vou te esmurrar até arrancar todas as suas obturações. Eu vou te estapear até a cera do seu ouvido pular pra fora (Cara de “você está doida?”). Eu vou te fazer sofrer até pedir penico!
(E Melanie avança no cabelo de Eulália. Eulália revida, esbofeteando-a cruelmente e ao mesmo tempo dizendo):

Eulália: Não me bata, Melanie! (como se estivesse apanhando – a contradição entre o bater e fingir que está apanhando é o cômico da cena)
Eulália começa a dar socos e pontapés em Melanie, que por ser fraca, fica dando socos e tapas no ar.
Eulália: (como se estivesse morrendo) Tenha piedade de mim Melanie, não me machuque mais! (e Melanie até sonsa de tanto apanhar).
Eulália dá um chute forte em Melanie que a faz cair no chão.
Eulália: (histérica) Melanie, você quase me mata, assim como eu matei seu pai – ops! – digo... Ah! Digo nada matei mesmo e mato de novo e de novo, mato quantas vezes quiser e quantas vezes forem necessárias.
Melanie: (com dificuldade se levanta) Sabe de uma coisa, eu não vou ficar aqui. Vou agora mesmo denunciar você à polícia.

Aí baixa a psicopata em Eulália:
Eulália: (aérea) Polícia? Cadeia? (volta a ser agressiva) Ah, mas você não vai mesmo, eu não vou deixar!
 (psicose)
Eulália: (sacando o revólver da bolsa) Você não vai me denunciar por que eu vou matar você também. Levante suas mãos para o céu Melanie e peça perdão pelos seus pecados!
E vai bem devagar chegando com a arma na cabeça de Melanie, que com os olhos arregalados de medo não consegue dizer nada. Quando Eulália vai puxar o gatilho aparece Carlos Eduardo com um revólver na mão, apontando para Eulália.
(Hino ao amor: 15 segundos) ou
(Opcional: para dar um toque de musical pode-se passar a música toda e os dois valsarem pelo palco e depois tomarem de novo as suas posições – pode dar um toque de comédia, dependendo do público)
Melanie: (romântica) Carlos Eduardo! Meu amor... você veio! Quer dizer que me perdoou por eu ter abandonado você no altar e fugido com José Armando Campobelo? Mas... quem te falou que eu havia chegado?
Carlos Eduardo: Bom... – diz ele num tom um tanto constrangido – Eu nem sabia que você havia chegado. Na verdade eu soube que seu pai havia morrido e vim ver se ele não havia deixado nada pra mim no seu testamento, afinal ele parecia muito gostar de mim.
Melanie: Rá! – diz ela em tom de ofendida – interesseiro como sempre. Achei que ainda me amasse... Mas o que faz com esse revólver na mão?
Carlos Eduardo: (em tom de Xerife do velho-oeste) Ouvi um barulho de briga, corri na biblioteca e peguei o revólver do velho, pois sabia onde estava. E agora Eulália (diz o nome dela com desprezo), solte minha Melanie, já! Eu a amo e sempre amarei! Solte-a se não serei obrigado a atirar em você! (psicose)
(Eulália está a ponto de soltar a sua arma quando aparece o testamenteiro)
Testamenteiro: Não, solte a arma você!
(psicose)
Eulália: (olhares entre os dois – hino ao amor 15 seg.) (cheia de sentimento) Oh, meu amor... Você veio me salvar?
Testamenteiro: Bem... Na verdade vim proteger meu investimento. Vim buscar a minha parte do nosso acordo. E olha o que maravilha eu encontro... Vamos (cutuca Carlos com a ponta da arma), largue a arma! Vamos queimar vocês dois vivos, e depois acabar com vocês, e depois matá-los sem dó nem piedade e depois afogá-los no rio e depois disso bater em vocês a ponto de não desejarem ter nascido e depois torturá-los e descobrir a senha de vocês do facebook e mandar vírus para todos os seus contatos e recadinhos dizendo que fugiram com o circo pra nunca mais voltar! Não sou genial?
(Todo mundo com cara de “ãhn?”)
Eulália: Pensaremos nisso mais tarde. Agora vamos acabar com isso logo, por que eu tenho comprar um carrão com corneta e sair passando funk lá no morro para aquele bando de gentinha saber agora que eu to rica!
(Risada de Paola dos dois, durante tanto tempo que até a plateia estranha).
Melanie: Oh! E agora, o que será de mim? (e começa a rezar, com o choro mais escandaloso do mundo, de joelhos no chão) “Deus... me perdoa por que eu matei aquela minhoca! Eu não queria, mas era mais forte do que eu... Isso fez meu pai gastar anos de terapia, por que eu dizia que era uma serial killer alucinada. (gemendo agora) Papaizinho querido do céu perdoai-nos por que, quando fui mandada embora, furtar-ia de Eulália 5 calcinhas para bater pemba.
Eulália: Ô quê? (enfurecida). Você ia bater macumba pra mim com 5 calcinhas minhas?
Melanie: Bem, Lálá (em tom meloso)... Eu ia bater pemba com uma só – a que estava rasgada e com uma macha de amarelo na frente e marrom atrás– e ficar com as outras pra mim, mas...
Eulália: Calada (morrendo de vergonha)! Não quero saber mais de reza nenhuma você vai morrer e é agora!
(Ouve-se uma voz forte atrás da cortina)
¾  Tira a mão da minha filha!
(psicose) (Todo mundo se assusta)
Carlos Eduardo: Mas que musiquinha chata hein! Que coisa!
Testamenteiro: (assustado) Quem está aí?
(De repente, com a musica de psicose de novo, aparece o...)
¾ Dr De La Vega? – todos se interrogam assustados.
Eulália: Mas eu... te matei!  Olha seu corpo ali! – diz Eulália – Eu só posso estar ficando louca... Você está ali... você está aqui... você está ali... (Melanie dá-lhe um bofetão, ela agradece e volta ao normal).
Dr. De La Vega: Sou eu mesmo! Eu voltei! (Toca-se Jogos Mortais - da metade para o final)
(Dr. De La Vega aponta a sua arma para o testamenteiro, que aponta para Carlos Eduardo, que aponta para Eulália, que aponta para Melanie e ficam nessa até a música acabar 54 seg).
Testamenteiro: Nossa, que música grande. Até eu cansei.
Melanie: Pai! O senhor está vivo! Mas... Como, se também está morto?
Dr. De La Vega: Filha... chegou a hora de contar o grande segredo que eu tenho te escondido há tanto tempo. (música “terremoto”) Há muito tempo atrás, quando era adolescente eu e meu irmão gêmeo fomos separados pelo destino, eu pensei que ele havia morrido, por isso nunca o mencionei a vocês. Ele ficou pobre e eu enriqueci. Mas, há um ano eu o encontrei na rua e então ele me subornou. Disse que queria metade de todo o meu dinheiro, se não ele contava tudo que sabia sobre mim! Eu, não tendo saída, tentei negociar. Então lhe ofereci 1 milhão de dólares. Ele disse que era muito pouco, e que este era pra ser ele e não eu, que ele era pra estar no meu lugar. Então, tirou a peixeira da cintura e enfiou na minha barriga. Tirou minhas roupas, jogou-me no rio e veio me usurpar (Toque “La Usurpadora”). Só que eu não havia morrido. Um pescador me socorreu e me levou ao hospital, onde fiquei até há um hoje, quando milagrosamente acordo totalmente curado. E vim preparado para extirpar este usurpador do meu lugar e salvar vocês das garras desse malfeitor. Que descanse em paz.
Melanie: Mas que segredo tão importante era esse pai, que te fez tremer nas bases?
(psicose) (Cara de pânico do pai para a platéia)
Dr. De La Vega: (Com um tom totalmente gay) Bem, filha, é uma história aí, que o povo inventou – você sabe como é que o povo fala não é? - de quando eu era pequeno ainda, e que aconteceu no quintal lá em casa, “coisas” com o Juquinha, mas não acredita não, que é mentira viu? (recuperando o tom másculo) E agora, chega de história. Renda-se Eulália. A polícia veio comigo para pegar o Usurpador, mas vai levar você e esse seu cumplicezinho aí. Os carros estão lá fora esperando você, não há mais nada que você possa fazer!
Eulália: (surta novamente) Não, a polícia não pode me pegar! Tanto tempo planejando e executando! Não... Eu tenho que fazer algo. Eu vou fugir!
Larga Melanie pra lá, sai de uma vez, correndo, e escorrega numa garrafa de vidro, bate a cabeça no chão e morre. O testamenteiro fica todo trêmulo com as duas armas apontadas pra ele.
Carlos Eduardo: E você, vai fazer alguma coisa?
Ele balança a cabeça dizendo não, com os olhos arregalados.
Dr. De La Vega: Então está tudo resolvido.




(Black Out)
(Tema de Tara)
A polícia entra, algema o testamenteiro e o leva. O corpo de Eulália permanece no chão. Melanie, está em meio a seu pai e seu amor, de braços dados. Eles vão até a frente, da platéia e Mel diz (abaixa-se o som, mas deixa-o levemente, enquanto todos falam):
Melanie: E assim termina a nossa história. Eu, Melanie Olsen Brudovik de La Vega Bracho Farina Hamilton Riviera Kennedy termino feliz ao lado do meu amado esposo, caso-me tenho três filhinhos e vivo feliz para sempre.
Carlos Eduardo: Eu, prosperei do dia para noite e virei um rico empresário que ama a sua esposa e é fiel e dedicado à família. (sussura) “Deus ta vendo”
Dr. De La Vega: E eu sou o homem mais feliz do mundo. Vivo ao lado da minha filha linda e maravilhosa, dos meus três netinhos que serão uns anjos e com os negócios indo de vento em popa. E assim nós vamos ficando por aqui e pra acabar com chave de Ouro, eu vou contar o maior segredo de todos (batida), (desgruda-se do braço de Melanie e segue lentamente para a mais perto da plateia, em tom de terror) aquele que mais atormentou a minha vida até agora. O segredo mais obscuro de todos que eu nunca tive coragem de contar pra ninguém, de tão execrável, odioso, repugnante e cabeludo que ele é. Mas agora eu tomei coragem e vou revelá-lo. (Vira-se para a filha): (quase chorando, mas com a voz firme e veemente) Filha, a razão de toda esta história maluca ter acontecido não foi exatamente isto que eu te contei. (em êxtase – o ápice da emoção) A verdade verdadeira é que eu... (Bum!)
Ouve-se um tiro. (silêncio total)
Eulália: Morre, desgraçado!
(psicose completa)
Melanie e Carlos Eduardo: (com sotaque gay medroso) Nãããããããããão!
Black Out







Fim




 CRÉDITOS


Uma obra de:
Roberth Moura




Perfil dos personagens:

Melanie: Filha do Doutor de La Vega e da falecida Senhora De La Vega. Ingênua, gastadeira, interesseira e mimada. Sexualmente ativa, mas quer que o pai pense que ela ainda é virgem. Indecisa, não sabe o que quer da vida, justamente por não ter crescido com responsabilidade e autonomia. Tem um sotaque de metida e chatinha – de modo semelhante à dubladora da noiva de Chuck (Jennifer Tilly).  +- 23 anos
Eulália: Pobre, empregada, também filha da empregada (empregada de carreira). Quer subir na vida a qualquer custo (alpinista social) e faz o que for preciso para se dar bem – inclusive fez um curso de técnico em enfermagem, mas por colar demais, jamais conseguiu um emprego na área. Copia o sotaque de Melanie quando fica rica. Manipuladora e inescrupulosa. Uma verdadeira Soraya Montenegro. +- 26 anos.

Doutor Carlos De La Vega: Homem bom e generoso, apesar de seu passado um tanto obscuro. Ama a sua família e trata todos os empregados como se fosse da família. Muito rico – dono de uma fortuna incalculável. +- 50 anos.

Testamenteiro: Homem essencialmente bom, mas facilmente manipulável. Eulália o seduz e o faz com ele o que quer. Muito influenciado também por personagens vingativos de desenhos animados – percebe-se que é um tanto infantil. +- 35 anos.

Carlos Eduardo: Ex-noivo de Melanie, abandonado no altar, mas que sempre a amor, independente de qualquer coisa. A salva no momento mais crucial provando o amor que sente por ela.

Irmão do Doutor De La Vega: Frio, calculista, chantagista, inescrupuloso. Deseja manter Melanie longe com medo de ser reconhecido por ela. Como ela ameaça voltar, seu doença se agrava e ele “acidentalmente” acaba morrendo.

Dicas para a montagem da peça

A peça foi planejada para dar o mínimo de trabalho possível ao ser montada. O cenário será apenas um quarto (cama, cortina, criado mudo, cômoda, e mais algum enfeite que se queira colocar); os figurinos não precisam ser nada de mais – as roupas de rica pode ser roupas das atrizes, que elas usam pra ir a casamentos por exemplo; e as roupas de pobre, podem ser as roupas que se usa para ficar em casa, ou pode-se ir ao brechó e comprar qualquer coisa.
Como se percebe o texto se mostra vez ou outra incoerente, entretanto o público não terá tempo para ter esta percepção, a não ser que assistam a peça mais de 3 ou 4 vezes. Essas incoerências fazem-se necessárias para a criação do clima de suspense e humor, característicos da peça.




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Espero opinião de todos, mesmo que for pra xingar. Sua crítica é de fundamental importância para a realização (ou não) desta peça. Até mais!

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10 comentários

  1. ze da barbie04 janeiro, 2012

    me pareceu muito interessante , apesar de ser mais do mesmo, nao criou muitas espectativas,e ainda derramou o caminhao de melancias em cima de quem se propos a ler o texto, pois publicou td de uma so vez...e tem muita gente que nao tem paciencia de ler tudo, e acaba abandonado a leitura no meio. quer xingamentos aqora? vc e um fdp muito inteligente...e me parece bastante pretencioso, vc e sua trupe ai...mas como nao entendo muito de teatro apesar de gostar bastante desejo boa sorte pra vc e que uma grande companhia de teatro resolva encenar a sua peça... tomara que a critica especializada publique algum comentario em seu blog desmentindo td o que eu disse ...valeu? um abraço a vc e a sua turma ai!!!

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  2. Gratíssimo pelo seu comentário Zé! Não compreendi a expressão "ser mais do mesmo". Seria o mesmo que dizer que não é nada inovador? Pois se for, te digo que a intenção era justamente esta: fazer paródia a partir do que já existia, assim seria muito mais fácil pra mim escrever algo, já que este é o meu primeiro texto. Mas em breve tramarei as mais emocionantes histórias inauditas.

    Também senti um pouco de falta de criar expectativas. Na verdade, fiquei com medo de deixar o texto muito entediante, mas agora, relendo-o, percebo que expectativa na dose certa (o que meu texto tem de menos) só terá a acrescentar ao trabalho. Talvez assim o leito anime-se a lê-lo todo de uma vez, já que agora é tarde demais para fragmentá-lo. Meus próximos textos eu postarei cena por cena, assim o leitor poderá até me ajudar a construir as próximas.

    Enfim, obrigado pela sua opinião, saiba que é de fundamental importância saber o que todos pensam, desde o mais renomado diretor até o mais leigo dos apreciadores de teatro. Abraços!

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  3. O link da trilha sonora não funciona, devido ao fechamento do megaupload, teria como passarem a sonoplastia inteira da peça, desde já obrigado.

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    1. Olá Diego! O link foi atualizado para o 4shared:

      http://www.4shared.com/get/KPkPQBXl/O_segredo_do_doutor_De_La_Vega.html


      Não deixe de dar notícias, caso deseje montar o espetáculo!

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  4. nossa... meu deus que peça é essa? simplesmente Esplendida... um humor que não obriga que o telespectador ria, um drama que não obriga que o mesmo chore... eu sou novo mais já tenho uma vida muito marcada pelo teatro e sei que você tem FUTURO! parabéns! eu estou te pedindo a sua permissão para trabalhar com ela no meu grupo de teatro abraços gustavo santana.

    adc no face----https://www.facebook.com/gustavo.santana.9862


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    1. Permissão concedida Gustavo! Só gostaria que, se possível, você filmasse a peça, quando pronta e me enviasse.

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  5. Simplesmente amei, super interessante e divertida! É o que preciso para arrasar na peça de artes da escola, ficaria muito feliz de apresenta-lá da melhor maneira possível. Gostaria muito de sua autorização para trabalha com a peça... Abraço xX

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    1. Olá! É um prazer saber que a peça agradou.

      Para solicitar autorização de modo formal, entre em contato por e-mail, me informando seus dados. Meu e-mail é odacyrroberth@gmail.com

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  6. Que peça, meu Deus, estou te pedindo a sua permissão para trabalhar com ela no meu grupo de teatro abraços Luis Felipe Rech!

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    1. Oi, Felipe! Escreva um e-mail para odacyrroberth@gmail.com detalhando como você pretende trabalhar a peça que eu envio a autorização para você!

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