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Filhos travestis, pais desolados?

quarta-feira, janeiro 25, 2012Roberth Moura


Esta semana a pesquisa que eu estava desenvolvendo na faculdade encerrou-se, então eu, que antes trabalhava todos os dias, vi-me sem absolutamente nada pra fazer nos primeiros dias, por que havia perdido o costume de tudo. E pra passar o tempo fui exercitar meus conhecimentos psicológicos assistindo “Casos de Família”, do SBT. Não estou nem na metade do curso, mas tudo bem, avalio a situação com o que já aprendi. É bem verdade que o programa caiu muito de qualidade desde a última vez que eu o vi, ainda com a Regina Volpato, mas o fator relações humanas ainda se faz muito presente e traz à tona muito do que nós podemos encontrar na nossa lida, especialmente se trabalharmos com a psicologia social.



Pois bem, o tema deste programa que eu assisti era “Quero meu filho homem de volta”, que mostrava pais que queriam que seus filhos se comportassem como homens, e embora os aceitassem como homossexuais, queriam que seus filhos vestissem de homem pelo menos quando estivessem em casa. Vamos nos ater ao primeiro caso, apenas.
Bom, o primeiro pai que foi apresentado no programa aceita muito bem a homossexualidade do filho, todo mundo sabe que ele é gay e ele encara isso numa boa, porém na frente dele ele não aceita que o filho se vista de mulher, com unhas pintadas, batom, minissaia, etc. Ele sabe que o filho é gay, vê-lo de mulher causa-lhe um sofrer imensurável.



É de dar pena. O curioso é que parece que ele não se importa tanto se o filho cai nas noitadas, se veste-se de mulher ou não longe dele. O que ele não quer é que o filho se vista de mulher perto dele e nem perto dos seus amigos ou perto da vila onde eles moram. Lembrei-me da frase de Sartre que diz que “O inferno são os outros”. Parece-me também que o fato de o filho estar vestido de mulher seria como se estivesse a todo tempo jogando na cara dele “Pai, eu não sou homem, sou uma travesti”, e isso o faz sofrer.

E mais uma vez debateu-se a tão sonhada felicidade. O filho disse que era feliz vestindo de mulher, mas que o pai tolhia sua liberdade e isso deixava-o chateado. O pai dizia que amava o filho, não importando sua orientação sexual, entretanto ficava feliz quando o filho vestia-se de homem, mas chateado como o mesmo travestia-se. E aí quem deve abrir mão da sua felicidade para cedê-la ao outro? O pai, que já faz de tudo pro filho ser feliz deveria em seu amor quase incondicional sacrificar mais um de seus arraigados valores pra fazer seu filho plenamente feliz ou, por outro lado, o filho, que involuntariamente já fez o pai desgostoso para se assumir e ser feliz (sim, por que, por mais que se aceite o filho como é, ninguém planeja ter um filho gay), mas que também sente-se desgostoso por não realizar tudo que quer? Seria egoísmo do filho querer apenas a sua felicidade e esquecer-se que tudo que ele faz afeta muito os outros também, especialmente seu pai que muito já contribuiu para sua felicidade? Seria conservadorismo do pai pensar mais no que os outros vão pensar do que na felicidade do próprio filho?

É muito complexo o comportamento humano. E eu nem abordei todas as variáveis que eu iria abordar aqui, apenas sobre este caso, por que o espaço é pouco e por que ocorreria digressão do tema. Deixo o artigo com o final um tanto vago para que se possa debater com mais liberdade sobre o tema. Fica então aberto o espaço, quem quiser dar a sua opinião, fique à vontade e até mais!

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5 comentários

  1. diz se que a minha liberdade acaba quando começa a do outro, no caso o nosso corpo é a parte mais básica da nossa liberdade. Dessa forma o que fazemos com o nosso corpo é problema nosso. A desse felicidade do pai é respsposabilidade do pai e não do filho, se o pai aceitar a situação vai ser feliz se não aceitar não vai ser.

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  2. Em suma, diria que, não é inteligente ceder aos anseios sexuais, pq não ceder em provimento do bem estar dos pais? Pq não, sacrificar-se em um mero detalhe? Pq não?

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  3. nossa complicado.. é um estudante de psicologia? e tem esse tipo de preconceito? seus professores nunca te deram um toque?

    Por mais que sua cultura e crença seja importante para você não se pode colocar sua opinião viesada e dizer "ótica psicológica"

    Pense melhor se é essa profissão que quer seguir pois no futuro corre um sério risco de perder a sua licença pelo CRP da sua região

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    1. Que tipo de preconceito? Não expus aqui a minha opinião,o que penso sobre o assunto. Só trouxe à tona os fatos tais quais foram mostrados e levantei uma discussão. Em momento algum eu falei de religião, mencionei sequer Deus. Eu penso que para discutir o tema com mais profundidade, antes de tudo pediria que você se identificasse, pois discutir com quem não diz nem o próprio nome fica difícil.

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