Cultura

...E o vento levou: o melhor filme de todos os tempos

quinta-feira, janeiro 05, 2012Roberth Moura

Eu vivo soltando aos quatro ventos que “Gone with the wind” é o melhor filme de todos os tempos, todavia (estranhamente) nunca escrevi  uma postagem específica sobre ele.  Então, para o delírio dos meus fãs, fiéis e dedicados leitores aí vai mais uma das peripécias do estereótipo da perfeição.


As múltiplas facetas da perfeição cinematográfica de
... E o vento levou




A incrível technicolor

            Falar de ...E o vento levou é falar de inovação, tecnologia e cores. Também não é pra menos: com a utilização da incrível tecnologia do negativo de três cores da Technicollor, este, juntamente com grandes clássicos como Sing in the rain (Cantando na chuva) e As aventuras de Robin Wood mostram o que houve de mais belo e colorido daquela era cinematográfica.


Trilha sonora

            A trilha sonora de ...E o vento levou é um capítulo à parte. Ela nos transporta até o velho sul com seus costumes, orgulho e mania de grandeza. O Tema de Tara (Tara’s Theme)  nos impulsiona a lutar e ter coragem, independente do tamanho do desafio. De uma certa maneira ele passa uma força extraordinária para quem a ouve.
Fora isso o filme é quase todo acompanhado por música. Então dá pra mergulhar de corpo e alma na magnificência da sonoridade desse filme. Leia a postagem ouvindo "Tara's Theme"



Atuações

Scarlett O'Hara e Ashiley Wilkes



Eu não sou nenhum expert para criticar atuações deste ou daquele ator, mas pela (minúscula) experiência com as artes cênicas e pela vasta experiência como cinéfilo, poderia dizer que a primeira vez que assisti ao filme achei as atuações (especialmente da Vivien Leigh) um tanto exageradas. Eram muito teatrais, cheias de caras e bocas, mãozinha na testa e muito “oh!”, muitas caretas e tudo mais. Todavia, após assistir muitos filmes e alguns seriados da época percebi que este tipo de atuação era mais comum do que eu imaginava. Vivien Leigh só deu mais ênfase e via à Kate Scarlett O’Hara. Olivia de Haviland já era uma estrela em potencial e só com esta personagem mostrou mais uma vez o quão magnífico e grandioso pode ser o trabalho de um ator. Clark Gabe dispensa comentários. Estrela já consagrada na época, Reth Butler comprova o motivo do sucesso que ele fazia. Para fechar a lista dos protagonistas, Leslie Howard, na minha concepção estava muito velho para o papel. Na verdade, depois que eu li o livro achei todos os atores velhos demais para o papel, de Scarlett a Prissy, mas Ashiley foi o mais gritante, apesar da primorosa atuação.

Demais comentários acerca do filme


Scarlett e Gerald O'Hara: O amor à terra

            O que mais me fez tornar fã deste filme foi a garra que Scarlett, a protagonista do filme, possui frente às diversas adversidades da vida. Ela inicialmente é apenas uma garota que ama e quer tudo a tempo e hora. A guerra, a fome, a morte de sua mãe e uma vida dura e difícil a fazem ser uma batalhadora de mão cheia. É claro que muitos dos métodos que ela utiliza não são nada morais, especialmente à época pós-guerra civil. Mas ela não pode se entregar ao sofrimento e ficar reclamando como os outros e não fazer nada. A frase célebre que marca o início da mudança de postura de Scarlett é quando ela volta para casa e não tem nada pra comer e ela diz:



"Por Deus eu juro, jamais sentirei fome, nem eu nem ninguém da minha família, nem que pra isso eu tenha que matar, roubar, mentir ou trair, por Deus eu juro jamais sentirei fome!"
 
           
            Isso não é uma coisa boa para se ensinar para os filhos, mas na situação desesperada em que ela se encontrava as atitudes também deveriam ser desesperadas. Ali ela se descobriu mais forte do que ela pensava que um dia poderia ser. Se fosse outra pessoa, entregar-se à fome ou até mesmo à morte, seria o caminho mais fácil. Mas ela escolheu lutar. E lutou com todas as armas que tinha e finalmente conseguiu tudo o que queria. Na verdade quase tudo, pois preocupou-se demais em ajuntar dinheiro e deixou de lado o coração. 


      E o filme retrata isso também: Scarlett, pensando apenas em satisfazer-se, ilude-se no amor, não aproveita uma verdadeira amizade e termina infeliz. Porém nada é tão triste assim. Ela, uma mulher imponente e uma menina sonhadora, sempre vê possibilidade de correr atrás do prejuízo, não importa em que área seja. Ela é forte e não desiste jamais. E outra frase célebre que ela usa muitas vezes no filme, ela usa no final do filme: Não vou pensar nisso hoje, pensarei nisso amanhã. Afinal, amanhã será um novo dia. E assim termina o grandioso ...E o vento levou, com o Tema de Tara e Scarlett em Tara mais altiva do que nunca.

Enfim, quem não assistiu, assista. Quem já viu, veja de novo. Faça como eu, veja, 12, 13, 14, 15 vezes. Toda vez descobre-se um novo detalhe, um novo quadro na parede, um novo tapete, um novo fail, uma nova nota musical. Navegue, viaje e se entregue ao maior filme de todos os tempos!

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16 comentários

  1. Concordo com cada palavra, cada detalhe e cada virgula, eu amo esse filme, ano passado eu o assisti 4 vezes, e esse ano já assisti uma vez. Amo a cena em que ela promete nunca passar fome, essa cena realmente é um clássico, eu sempre choro e o final, o final é perfeito, Nada como um dia após o outro.

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  2. Fiquei de boca aberta quando vi esse filme.
    de fato é uma dessas obras que todo mundo deveria assistir.
    só não concordo com o titulo de melhor filme. Não por nao achar excelente, mas por acreditar que nao exista um filme melhor que todos.

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  3. Parabéns pelo texto. Assim como você não canso de assisti-lo.

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  4. Desculpa, mas Cidadão Kane é melhor, tanto tecnicamente quanto artisticamente.

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  5. Sou apaixonada por esse filme! É o melhor filme de todos os tempos.
    Acho que a interpretação exagerada da Vivien Leigh, deve-se ao fato da Scarlett ser dramática. Não imagino Scarlett sem as caras e bocas.

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  6. Cidadão Kane é melhor? Não senti um décimo da emoção que senti em "...E o vento levou" quando assisti "Cidadão Kane".

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  7. Um pouco de exagero nesse filme, ele é bom, não é essa obra prima que você diz, há vários filmes melhores que ele, até em 1939 tem A Regra Do Jogo que é melhor, mas o melhor de todos os tempos é Um sonho de Liberdade de 1994.

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  8. JP, também assisti a regra do jogo e apesar de ser muuuuito bom, não o considero melhor que ...E o vento levou, tanto pela história, quanto pelas cores, os atores, os diálogos, o figurino e tudo mais. Um sonho de liberdade também é divinal. Mas como se sabe, gosto é gosto...

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  9. Olá:

    Legal esse debate!
    Um clássico mesmo...
    Para os padrões da época/até bom.
    Ouvi falar que levou UM ANO PARA SER PRODUZIDO.
    E sobre FICAR EMOCIONADO no final_confesso que sou um destes.
    Numa vez que o assisti, no final de 1989: onde completava 50 anos... Estava vendo com um dos meus pais e recordo de UMA LÁGRIMA ESTAR ESCORRENDO NA FACE! Até agora digo que estou emocionado (nem sei porque tal filme me toca tanto). Falava isso com parentes e amigos e tais até se questionavam por que TANTA EMOÇÃO.
    Até me minha mãe se chamava VIVIAN em homenagem à tal atriz. Houve uma CONTINUAÇÃO (tipo um SERIADO)... Menos triste assim!
    Saliento a cena onde a protagonista fez um VESTIDO DE UMA CORTINA (e de uma sátira onde o ícone CAROL BURNETT aparecia num humorístico dizendo que HAVIA PASSADO NUMA LOJA E NÃO RESISTIU A TAL VESTIDO). E só rindo mesmo.

    Valeu,
    Rodrigo

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    1. O que mais me toca no filme (e no livro) é a forma que Scarlett consegue superar todas as barreiras que lhes são impostas. Mesmo com todas as dificuldades ela JAMAIS perde a esperança.

      Eu assisti a "continuação". Bem fraquinha, e foge muito À história. Mas valeu a pena, ao menos para matar a curiosidade.

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  10. roberto henrique andrade13 maio, 2014

    Nunca assisti o filme por inteiro mas li, reli e treli o livro. Linda história!!!!

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  11. Sem dúvida alguma, um dos melhores filmes de todos os tempos... acho que chego ter abstinência de E o vento levou. Acho primorosa cada parte, o contexto, o roteiro em si, sem contar os efeitos e a qualidade, levando-se em consideração ser um filme de 1939. Scarlett é fantástica e completamente destoante da ideia popularmente conduzida de uma heroína, não passando de uma menina mimada, arrogante, com traços histéricos observáveis à distância, que, contudo, é forçada a crescer carregando ainda de modo intrínseco seus pensamento pueris cheio de egocentrismo. Personagem belíssima. Primoroso! Para mim, sem dúvida, o melhor filme.

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  12. Acabei de assistir pela primeira vez e não sei explicar o que to sentindo.
    A dura e corajosa trajetória dela e esse final! MEU DEUS!
    Vai demorar uns dias para digerir todo o filme, mas o mais legal é que o pesadelo da Scarlett, no final, era não conseguir achar o Rhett.
    Meu coração já é desse filme!

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  13. Só não concordo com a afirmação de que a interpretação de vivien leigh é exagerada. Acho que é perfeita ! não consigo imaginar scarlet de outra forma; charmosa, dissimulada, ambiciosa, forte e antes de tudo muito corajosa! a interpretação de Vivien leigh demonstra tudo isso, e muito mais. Adoro este filme!! e o livro é muito mais lindo ainda!

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    1. Eu também não achava, até ver outros filmes dela, rsrs... O filme que eu achei a atuação dela mais natural foi "A ponte de Waterloo". Mas para os padrões da época, era comum ter uma atuação mais teatral, mais expressiva. Eu, particularmente, até gosto mais. Acho mais intensa.

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