Cultura Filosofias e Reflexões

Necessidades especiais na sala de aula: toda essa atenção é realmente necessária?

quarta-feira, setembro 14, 2011Roberth Moura




É muito complicado discutir a questão da inclusão social em sala de aula. O que se tem visto no Brasil é uma inclusão assistencialista. Sabemos bem que toda criança tem direito a uma educação que lhe permita realizar o seu máximo potencial humano, independente de sua capacidade de aprendizagem, porém proporcionar-lhe uma inclusão que exclui pouco vai lhe beneficiar. Digo isso por que percebo, especialmente pelas escolas que eu tenho passado que, quando um aluno tem dificuldade, o professor procura o tratar tão bem, procura incluí-lo tanto que acaba deixando o aluno constrangido. Por outro lado, ele pode querer não emitir esse comportamento e acaba não dando a atenção necessária. 



Mas como saber dosar? Aí é que está a complexidade do assunto. Os alunos podem apresentar várias dificuldades de aprendizagem, desde uma miopia, até uma surdez ou cegueira. Não é incomum vermos alunos “especiais” se tornarem a mascote da turma: todo mundo enche-lhe de afeto e de uma atenção toda especial. Mas será que essa atenção demais faz bem pro aluno? Não estou querendo dizer que essas atitudes são erradas, mas devem ser pensadas no sentido de criar situações que venham trazer significância e proporcionar um aprendizado livre pra essas crianças com necessidades especiais. Esse excesso de atenção e cuidados poderia tolher a liberdade da criança.



Lembro-me, de quando criança, ter lido um livro que se chamava “O jardim Secreto”. Nele, havia um garoto que nasceu muito frágil e todos pensaram que ele iria morrer. Então, ele cresceu com essa ideia na cabeça “sou fraco, em breve vou morrer”. Com isso o garoto cresceu cercado de empregados, que lhe davam banho, lhe traziam comida e faziam todas as suas vontades a tempo e a hora. O garoto não aprendeu a andar devido a ficar na cama o dia todo, por que os empregados não deixavam que ele fizesse nada, com medo de que ele pegasse algum germe ou piorasse seu estado. Mas com a ajuda de sua prima ele descobre que ele é capaz de fazer muitas coisas das quais, por excesso de cuidado, ele não podia fazer. Aprendeu a andar, a correr e fazer as coisas por si só. Ou seja: desenvolveu a sua autonomia.



O ideal a se fazer nesses casos seria poder oferecer ao aluno uma educação diferenciada. Mas será que estamos preparados para isso? E se nós, pedagogos estamos, será que o sistema educacional está? A sociedade está? São perguntas que eu prefiro não responder, mas deixar pra serem respondidas na prática, quando eu me formar e de fato, colocar a “mão na massa” e a partir daí ter uma visão profissional crítica e acima construtiva.

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3 comentários

  1. Muito bonito o seu texto. Também penso assim: toda a sociedade deve, num movimento dinâmico, se adaptar às demandas que a educação pede. Não adianta apenas os professores ou apenas o Estado, ou apenas a sociedade estar preparada, é todo um conjunto de ações e ideias que vai definir o futuro da educação especial e einclusiva aqui no Brasil.

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  2. Obrigado Lucinha pela sua opinião. Também concordo com o que você disse: todo mundo deve ter a sua parcela de contribuição para que o processo ocorra das maneira mais saudável possível.

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  3. Bom noite,

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