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A influência capitalista no esporte

sexta-feira, julho 15, 2011Roberth Moura

      Com essa turbulência de atividades esportivas que estão pra acontecer no país (Olimpíadas e Copa do Mundo) resolvi postar um artigo sobre a influência capitalista no esporte, baseando-me para isso no livro “Esporte, história e sociedade”, organizado por Marcelo Proni. Como sabemos existe o esporte de recreação e correto e não é dele que tratarei aqui. Tratarei do esporte profissional, o espetáculo que arrebata multidões e multidões, principalmente em um país tão fanático como o Brasil.


Para começar, esporte está repleto de desvios ideológicos:


• A escravidão do atleta;
• A obsessão pela vitória a qualquer preço;
• A utilização política dos eventos;
• A prioridade para a formação de campeões;
• A comercialização predatória;
• A influência crescente da publicidade, etc.


      Esses desvios refletem a organização do esporte a um mundo organizado em torno do capitalismo industrial, na especialização do trabalho e a utilização do esporte como aparelho ideológico de Estado. Isso vem de suas origens, na Inglaterra: o esporte moderno nasce com a sociedade industrial e é inseparável em suas estruturas e funcionamento; evolui estruturando-se e organizando-se internamente de acordo com a evolução do capitalismo; assume forma e conteúdo que refletem essencialmente a ideologia burguesa.

           O esporte produz, assim como o capitalismo, as suas “mercadorias”: campeões, espetáculos, recordes e competições. Sua vantagem é que não tem crises e sua produtividade é crescente maximização do rendimento.

     
      Eu, particularmente vejo o esporte como um subsistema autônomo corrompido (no sentido de apropriado pela burguesia), mas que pode ser salvo do capitalismo. É difícil? Sim. Na verdade quase impossível. O jeito é engolir a força o produto do capitalismo e esperar pra ver se o esporte toma um rumo diferente na história.


     
     Todavia, por ser fruto da dinâmica da sociedade moderna, o esporte pode reduzir a distância entre as classes, multiplicar os contatos, prometer mobilidade social e pode também, progressivamente, abolir as discriminações sociais. A utopia é criar uma educação física integral, mais humana, menos robotizada, que possa contribuir para uma profunda mudança social. Vai se concretizar? Não sei. Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil que não se possa lutar para ver se realizar.



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4 comentários

  1. muito bom...

    Petter Van Gogh - SP

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  2. Obrigado, Petter. Estamos aqui pra isso!

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  3. Quem é o autor desse texto?
    Obrigada..

    Ju - Maringá PR

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    Respostas
    1. Odacyr Roberth Moura da Silva (ou seja, eu,o autor do blog)

      Baseei-me para escrevê-lo na minha experiência enquanto estudante de psicologi, e militante do MST e também, evidentemente na literatura especializada, tais como os textos de Bohm.

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