Cultura Ótica Psicológica

Influência cultural na diferenciação do comportamento entre meninos e meninas

segunda-feira, maio 02, 2011Roberth Moura


Desde muito tempo, vem sendo criadas “normas de conduta”, tanto para os meninos, quanto para as meninas. Quem nunca ouviu as frases “Homem que é homem não chora”, “menina não joga bola”, “menino não brinca de boneca”, dentre muitas outras? Isso nos mostra o quanto ainda estamos vivendo no passado.



       Bem sabemos que não existem atividades específicas para homens ou para mulheres. Os adultos tentam privar as crianças de coisas que elas gostam de fazer. Não é saudável impedir a convivência social da criança por causa de tabus sociais, tais como “homem não pode chorar” ou “menina não pode jogar bola”. Essa é uma concepção antiga que vem sendo o modelo estereotipado pelos pais na cabeça das crianças e que ao longo do tempo foi criando certo preconceito de quem faz coisas que são mister de outro sexo. Até nós, quando vemos ema criança fazendo uma coisa que nos foi ensinado a vida toda que era atividade do sexo oposto, tempos ímpeto de dizer (e às vezes até dizemos) que esta criança está errada. Isso cria certo constrangimento na criança e atrapalha seu desenvolvimento lúdico e social.

Debate: “Por que os homens podem sair com todas as mulheres e são considerados ‘mais homens’ e as mulheres que saem com muitos homens são discriminadas, tidas como ‘galinhas’ ou ‘vadias’?” Por que existem ditados populares como: “Homem que é homem não pode chorar.”?



Fazendo algumas pesquisas em busca de respostas descobri uma teoria capaz clarear essa situação. Sobre as diferenças entre meninos e meninas, a ciência já descobriu que meninos apresentam níveis mais elevados de testosterona, o que estimula neles um comportamento mais agressivo que o das meninas, porém a maior responsável é a influência cultural machista que domina a sociedade há muito tempo.
Um trabalho feito nos Estados Unidos há alguns anos listou características associadas pelos pais aos recém-nascidos. E elas variam conforme o sexo. Meninas recém-nascidas costumam ser definidas pelos pais no diminutivo. Elas são "fofinhas", "pequeninas", "delicadinhas". Já os meninos muitas vezes são descritos no aumentativo – "lindão", "fofão" “campeão”. O estudo diz que conforme as crianças crescem, os pais – especialmente o pai – estimulam as crianças a brincar com brinquedos culturalmente especificado para cada sexo. O mesmo estudo descobriu que os pais passam mais tempo conversando com as filhas do que com os filhos, mas dão a elas menos autonomia do que a eles.
Já em relação aos meninos, os pais reforçam o extravasamento de emoções, desde que não daquelas que possam ser tomadas como indicação de fraqueza. Na conclusão, o trabalho sugere que os pais evitem tratar meninos e meninas de forma diferente. "Os pais acabam desenvolvendo uma angústia tremenda quando o menino é visto penteando uma boneca", comenta o psiquiatra paulista Luiz Antônio Gonçalves, que trabalha há trinta anos com infância e adolescência. "E essa ansiedade é negativa."

Mas por que os pais se preocupam tanto quando uma menina quer brincar com espada ou o menino quer pentear a boneca? Simplesmente porque estão reproduzindo um raciocínio preconceituoso e tolo segundo o qual a exposição do menino ou da menina ao campo de interesses do sexo oposto pode influenciar a maneira como a criança irá manifestar a sexualidade no futuro. Para lidar com a diferença entre os sexos de forma positiva, os estudiosos recomendam a adoção de três regras simples: aceite seu filho (a) como ele (ela) é; não force as diferenças; não obrigue seu filho ou sua filha a brincar com crianças do sexo oposto ou do mesmo sexo, deixe ele mesmo fazer suas decisões. Deve-se tratar a questão sexual à criança com maturidade; não incentivar ao machismo, nem ao feminismo. Construir uma sociedade livre de preconceitos seculares ou ao menos minimizá-los já é o primeiro passo que se pode dar para a igualdade de gêneros. Se o menino pode, a menina pode também.

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2 comentários

  1. Suellen G.05 maio, 2011

    A cultura às vezes é arbitrária e não deixa espaço para o livre-ser. A liberdade é cedida, mas com certa restrição: uma condição imposta pela sociedade. Você falou muito bem do tema, principalmente a conclusão. Sucessos...

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  2. Obrigado, Suelen. Na verdade este texto era um trabalho acadêmico que eu apresentei à minha universidade de pedagogia. Como eu achei muito interessante, resolvi postá-lo e compartilhar com vocês um pouco da minha vida acadêmica. Valeu!

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