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Eutanásia: Os segredos do espírito

quinta-feira, maio 26, 2011Roberth Moura


     Pessoas em estado vegetativo ainda possuem espírito?

     Imagine uma pessoa, num leito de hospital, em coma por mais de um ano, alimentado pela sonda, não fala, não pisca, não mexe um dedo sequer. Mas seu coração bate. Algumas vezes mais forte, outras vezes mais fraco, mas bate. Este corpo sem movimentos, sem fala ainda possui um espírito ou é só um buraco oco, sem nada, apenas com mecanismos biológicos funcionando?


     Essa dúvida tem atormentado muitas pessoas que têm seus parentes em estado semelhante. As pessoas já estão saturadas de discutir isso pelas ruas, pelas escolas, em casa ou com os amigos, mas provavelmente elas não passaram pela experiência de ter alguém da família nesse estado.

     De fato é uma dúvida cruel. Gastar toda a fortuna da família para manter um vegetal no hospital que sabe Deus lá quando ou se vai acordar? Ou desligar os aparelhos e ficar por toda a eternidade com a consciência pesada pensando “ele poderia ter acordado no outro dia, e eu roubei essa chance dele”? Qual caminho seguir?

     Todo mundo tem sua opinião formada sobre o assunto, mas eu opto pela primeira opção: manter vivo até o desdobrar dos fatos. Como fui criado na igreja, tenho uma visão estritamente religiosa quando se trata de tirar a vida de alguém. “Mas quem garante que há vida ali?”, você pode me perguntar, e eu te responderei com outra pergunta: “quem garante que não há?”. Deus usa de todas as situações que nós vivemos para nos aproximarmos dele: veja bem, Ele não causa a situação, apenas a utiliza como ferramenta para chegarmos mais perto dele.


     Imagine você num estado como esse e apenas ouvindo as pessoas falarem “é, vamos ter que sacrificá-lo. Há meses não responde a nenhum estímulo. Acho que ele já se foi”. Não se sentiria roubado? Sim... Sua vida estava sendo roubada bem diante de você e você nada poderia fazer a respeito.

     Deus dá a vida e somente Ele pode tirá-la. Tirar a vida de alguém pode significar roubar a chance desse alguém se tornar uma pessoa melhor, depois da experiência que ela teve. O espírito ainda está no corpo? Provavelmente sim, caso contrário, muitas pessoas que se mantêm anos nesse estado jamais se levantariam dos seus leitos e poderiam ser dadas como mortas assim que entrassem em estado vegetativo. Vejam alguns exemplos abaixo:


Super abril relata pessoa que saiu repentinamente do estado de coma (clique aqui e leia o caso completo)

Marido canta e mulher acorda após 10 anos em coma (clique aqui e leia o caso completo)



     O mesmo serve para crianças que nascem com alguma anomalia, como o caso da menina sem rosto, Vitória, ou com alguma pessoa que é portador de uma doença incurável e está em estado terminal. Eutanásia... Morte sem sofrimento? Quem vai, provavelmente não queria ir, e quem fica também não queria que seu ente querido fosse. Casos extremos assim podem servir de exemplo de vida, mostrando o qual frágil pode ser o corpo do ser humano, mas quão forte pode ser sua coragem, força, persistência e acima de tudo, fé.

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18 comentários

  1. Dúvida cruel mesmo. Se fosse aqui em casa ou com algum parente próximo eu defenderia fervorosamente a vida. Sofrer todos nós sofremos, mesmo quando não estamos no leito de hospital. Assim é a vida.

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  2. Você é muito sentimental. Prefere que a pessoa fique sofrendo a vida toda (se é que isso é vida) ao invés de dar uma morte digna pra ela? Se ela tem o direito de vier, também tem o direito de morrer. Você escolheu dois casos pra ilustrar que podem voltar pessoas que ficam muito tempo em coma, mas não falou dos muitos que jamais voltam e suas famílias ficam com vãs esperanças, gastam todo seu recurso, e no final a pessoa vai embora ou o que é pior, fica em como pra sempre e jamais retorna.

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  3. Eu apenas defendi meu ponto de vista. Tudo na vida tem seus prós e contras, mas quando se trata de tolher o direito do outro sem o seu consentimento, o caso é outro.

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  4. é mexer. não, mecher.

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  5. aaa vai cagar

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  6. A vida não foi roubada foi aliviada. Todo ser humano deve por direito deixar um papel sobre escrito acaso venha ocorer uma fatalide ter o direito de se livrar desse sofrimento que barra na ignorância religiosa dos familiares. E desligar os aparelhos nada mais é que desligar uma vida artificial que já não respondi.

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  7. Erro corrigido!

    E dudu, é claro que se a pessoa deixar algum papel declarando que ela quer morrer caso ela venha a chegar neste estado, ninguém estará a matando, mas é ela quem estará suicidando. Essa "vida artificial" pode ser uma ponte para uma nova vida, uma vida transformada aqui na terra, e com isso ela poderá ajudar a outras pessoas, por que quem passa por uma experiência dessas jamais será o mesmo.

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  8. São situações e situações.

    Claro que o melhor, religiosamente falando, é ir mantendo o maximo que der.
    Mas tem pessoas que não tem condições de sustentar alguém em coma.
    Ficam entre poder dar uma alimentação e vida melhor para seus familiares ou alimentar um minima esperança de que a pessoa volte ao normal.
    Não da pra ser pretou ou branco aqui. Tudo depende da situação, do estado, de muitos fatores.

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  9. Não deixa de ser verdade. Cada caso é um caso, e muitas variáveis que deverão ser minunciosamente avaliadas estarão presentes em cada família. Mas pelo sim pelo não, não cabe a nós decidir pelo futuro do outro, todavia sempre haverá o SUS.

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  10. Não existe espírito, existe apenas vida.

    Chamar de espírito a vida é um erro comum, mas somos apenas animais que possuem consciência da nossa própria vida.

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  11. é uma pessoa que era para estar morta em condições naturais, quem fica segurando ela viva são os médicos dinheiristas que cobram mais de mil reais por dia para manter a pessoa em estado vegetativo

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  12. Qual a diferença de espírito e vida? Quer dizer que se ele recuperar sua consciência, o espírito que estava vagando volta ao corpo?

    Quanto ao segundo comentário, os médicos "dinheiristas" são muito presentes, especialmente neste momento. É o capitalismo agindo em todas as camadas profissionais...

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  13. Eu também não sou a favor da eutanásia, de nenhum dos tipos. Sou contra a involuntária por que a pessoa não está escolhendo por si e sou contra a voluntária, por que isso é suicídio. Só Deus quem dá a vida e só ele pode tirar.

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  14. O procedimento é uma saída honrosa para os que se veem diante de uma longa e dolorosa agonia. Não pode haver dignidade com uma vida vegetativa. Reduzir esse sofrimento é um ato de solidariedade e compaixão. Os casos em que o paciente pode decidir por sua morte é ainda concretização do princípio da autodeterminação da pessoa. O custo de manter vivo um paciente sem chance de voltar à plena consciência (mesmo que 1 ou 2 possam voltar) também é um peso pra família, e quando não o é é um peso para os cofres públicos. Essa questão deve ser vista com muita imparcialidade.

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  15. Obrigado pelo comentário Bia e Paola. Apesar de discordar em parte do que a Paola disse eu respeito sua opinião.

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  16. me desculpem a franqueza, mas uma pessoa mantida viva num hospital, e obra bem humana, se dependese de intervençao divina esta pessoa estaria morta,

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  17. Não é disso que o texto trata. Os homens mantém as pessoas vivas através de aparelhos. A intervenção divina entraria quando a pessoa recuperasse a vida, como se tivesse uma nova chance para rever seus conceitos e mudar de atitude. Mesmo que a pessoa estivesse morta, Deus poderia ressuscitá-la.

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  18. HIPOCRESIA!!!!!


    É o que acontece ao falar do assunto.

    FAlam sobre o espirito! Mas ao falar em deixar o espirito ser "livre" vem falar da "morte" desencarnação como se fosse uma coisa do diabo.

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