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Especial Dia das Mães: Perspectiva Histórica do Amor Materno

quinta-feira, maio 05, 2011Roberth Moura


       Observar um fenômeno a partir de uma perspectiva histórica nos ajuda a compreender suas características e variações decorrentes no contexto atual. E é assim que nós vamos observar a história do amor materno, desde os dias de target="_blanck"Eva (a primeira mãe que se tem notícia), passando por Maria, até os dias de hoje.


       As duas figuras básicas do feminino e da maternidade na tradição cristã são Eva e Maria, parece até um paradoxo. Eva, a mulher erotizada e pecadora, torna-se símbolo do mal, porém mãe de todos nós. Maria  é a pureza, maternidade santificada, o exemplo para todas as mulheres.
      
     
      Na Europa do século XVI predominava o costume de confiar o recém nascido a uma ama, que amamentava e cuidava da criança nos primeiros anos de vida. O fato das amas costumarem tomar conta de vários bebês contribuía para o alto índice de mortalidade infantil devido à má alimentação, péssimas medidas higiênicas e falta de conforto.


       Na Idade Média filhos ilegítimos eram bastante aceitos, porém depois da Reforma Protestante e a Contra-reforma no século XVI, passou-se a exigir com mais ênfase a castidade para os religiosos e a fidelidade para os casais. A situação da mãe ilegítima tornou-se intolerável no século XVII, obrigando-a a abortar, abandonar e até mesmo matar seu bebê depois de nascido. O abandono tornou-se prática tão difundida que na Europa começaram a surgir as primeiras instituições destinadas a acolher essas crianças.

        Todos esses fatos sugerem que, até o século XVIII, predominava uma conduta de indiferença materna. Isso pode ser explicado pelo alto índice de mortalidade infantil: se a mãe se ligasse profundamente aos bebês, sofreria demais dada a possibilidade de perdê-los. No entanto há outra interpretação que diz que os bebês morriam com tanta freqüência justamente em decorrência do desinteresse das mães. Daí conclui que o amor materno não é um instinto, mas um sentimento que, como todos os demais, está sujeito a imperfeições, oscilações e modificações, podendo manifestar só com um filho ou com todos. Para Badinter, a existência do amor materno depende não só da história da mãe, como também da própria História.

      É só no final do século VIII que tem início a exaltação do amor materno no discurso filosófico, médico e político, disseminadas principalmente por Rousseal, que valorizava o vínculo afetivo derivado do contato físico entre mãe e filho. Em 1806 surge a obstetrícia, e a mulher passa a ser um objeto de estudo que visa a definir seu papel social a partir de sua anatomia.

       A partir do século XIX é que começa a se tornar mais claro cientificamente o processo de fecundação. O lugar da mãe cresceu na sociedade ao mesmo tempo que o da criança. As novas condições de vida econômica e política atraíam cada vez mais o homem para fora de casa; tornou-se então necessário delegar à mulher a função de educadora.

       No século XX, especialmente sob a influência da psicanálise, reforça-se a tendência de responsabilizar a mãe pelas dificuldades e problemas que surgem nos filhos. Acentua-se a imagem de devoção e de sacrifício que caracteriza a boa mãe, que se torna, desse modo, o personagem central da família. Dessa maneira a mãe torna-se sinônimo de amor e afeto.

       Mas a história ainda não acabou, os papéis sociais vão assumindo novas formas e a mãe vai perdendo algumas funcionalidades e ganhando outras. Como será o futuro das mães e filhos e da sua relação só o tempo poderá dizer, mas espero que independente do tempo ou situação ocorrida doravante, tenham sempre muito amor pra dar e que sejam eternamente felizes...


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5 comentários

  1. Viva as mães!!!!

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  2. Pra você ver que até o amor materno tem história...

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  3. É seu malandrinho, sei muito bem de onde veio essa postagem...

    Aula de desenvolvimento, nem é né?
    Mas ficou bom, não melhor que a aula da Tander, mas ficou bom.

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  4. Fazendo do útil ao agradável!

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  5. "amor materno não é um instinto"
    Amor é um sentimento, dãã.
    Instinto materno é outra coisa, semelhante a amor, apenas semelhante nas ações.

    O resto do texto mostra uma boa história da tendencia da sociedade no decorrer do tempo.

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