Filosofias e Reflexões

A paz interiorana

domingo, abril 24, 2011Roberth Moura


De madrugada ouve-se o cantar dos galos, um após o outro, como se houvessem combinado. O cachorro, como se brincasse com os galos e quisesse competir com eles, latia ao longe.
A esta hora já dá pra ouvir alguns trotes de cavalos nas ruas e conversas abafadas de algumas pessoas. O cheiro de bolo assado na casa do vizinho desperta todos os nossos sentidos glutões. Pensa-se em fazer uma “visita casual”, mas o friozinho é tão gostoso que a gente não resiste ao macio e quente cobertor, provavelmente trazido dos Estados Unidos por algum parente que lá se encontra ilegalmente.
Ouvir as senhoras da terceira idade tomando um gole de café, à beira da fornalha acesa, contando casos sobre a vida – longa vida por sinal – produz uma paz que a gente só encontra no interior. Um grande quintal com muitas árvores frutíferas e o vento soprando, trazendo às nossas narinas o aroma da madeira queimada, os “causos” da infância de nossos pais e a afirmação de que “o mundo acabou” são assuntos freqüentes na conversa. É verdade que o seu velho mundo não existe mais, todavia elas podem fazer deste o seu mundo.
As pessoas vagarosas passando na rua: ninguém parece ter pressa pra nada. Coisas como intestino (tripa) e estômago de boi (dobradinha ou bucho) são ingredientes de receitas que fazem parte do dia-a-dia do povo. Até os cães são preguiçosos e dormem na praça à sombra de uma centenária árvore.
Observando toda essa tranqüilidade me dá vontade de ficar aqui pra sempre, de esquecer que existe um mundo perverso e odioso lá fora, onde tudo é dinheiro, pressa e egoísmo, onde não há tempo para uma prosa, pra uma reflexão, pra um pensamento puro e livre de interesse. É, eu admito: Safira, eu amo você.



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2 comentários

  1. verdade, ainda bem que eu moro no interior :)

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  2. Não há nada melhor do que essa vida simples que o interior nos proporciona...

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