Ótica Psicológica Política e Economia

Muito além do Existencialismo

sexta-feira, abril 15, 2011Roberth Moura

       Atualmente as coisas andam muito aceleradas. Depois da 1º Revolução Industrial e dos vários movimentos de Reforma na Europa, o capitalismo alavancou com toda sua força e modificou drasticamente toda a estrutura social: abalou o modo existente de se pensar as relações sociais, e isso causou um desequilíbrio enorme nas pessoas. A partir de então, a ideia principal, nesse modo de pensar, refere-se à extrema valorização do trabalho e da prática de uma profissão da busca da salvação individual. A criação de riquezas pelo trabalho e pela poupança (chegar além) seria um sinal de que o indivíduo pertenceria ao grupo dos “predestinados”. E quanto mais o tempo passa, mais o progresso vem chegando e exigindo cada vez mais das pessoas. As sociedades se tornam complexas demais, pois se por um lado proporciona mais conforto, por outro desgasta e massacra qualquer um que aceite fazer parte daqueles que querem “subir na vida”.

       Questão complexa o “subir na vida”, que tanto é valorizado por essa sociedade capitalista e desigual. Esse fenômeno força a pessoa a aparentar ter algo mais, aparentar ser mais feliz: na verdade muito além do que ela é. Isso se chama hipocrisia. Hipocrisia “branca”, na verdade, pois quem já não quis aparentar ser mais agradável, mais rico, ou mais feliz do que é? E luta com unhas e dentes para chegar nessa tão sonhada vida perfeita (ou aquela que ele idealiza como perfeita), não percebendo que desfruta menos sua vida, que ri menos, que reduz seus valores (quando não os extingue), que tem menos saúde, menos diversão.

       Além... Quer chegar muito além. Não que eu esteja criticando o além, pois o além é o combustível que nos mobiliza a seguir em frente. A crítica está em massacrar-se para estar na frente e querer se mostrar muito mais a frente da posição que está agora: isso é prejudicial.

       Adianta gastar mais e ter menos? Comprar mais e desfrutar menos? Isso é mera ideologia do capitalismo e nós, muito vulneráveis nos deixamos ser manipulados. Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores; temos maiores rendimentos, mas menos padrão moral. Onde é que nós vamos parar? Estamos perdidos na utopia do progresso e esquecemos de nós mesmos e das coisas simples que nos traziam a felicidade. Estamos buscando apenas o além, esquecendo-se que o aquém e o além são necessários para manter nosso equilíbrio. Necessários para as pessoas se encontrarem.




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6 comentários

  1. Indiscutivelmente somos frutos dessa sociedade que valoriza o "ter". "Ser" é só pra quem pode, meu caro.

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  2. Em suma: as aparências enganam aos que odeiam e aos que amam, como diz nossa queria Elis.

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  3. É difícil saber como será o nosso além. Se o consumismo continuar desenfreado dessa maneira, é possível que nem existirá além. Pensar só no bem estar momentâneo e se esquecer do resto só vai ajudar a afundar a sociedade e a biodiversidade da Terra, pois de onde só se tira e nunca se põe, um dia acaba. Antigamente as pessoas eram tão mais felizes com muito menos, e hoje elas tem muito e parece que são muito menos satisfeitas com a vida.

    Adorei sua colocação. Abraços...

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  4. A sociedade nos obriga a ser consumista, a ter o que não queremos ou podemos. Mas infelizmente a roda da economia é assim que gira. No Brasil, acredito ser um caminho sem volta, pois as pessoas não voltaram a serem "humildes" como antigamente.

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  5. Engraçado, vocês são beneficiados pelo capitalismo mas mesmo assim querem uma segunda URSS aqui no Brasil.
    Quando vocês, esquerdistas, vão perceber que esse pensamento de vocês ACABOU, o século 19 já era! O Capitalismo é a prova disso, no capitalismo prosperamos, mas claro, se quiser, porque se ficar sentado fazendo nada no capitalismo vai ser um zé ninguém na vida. Mas os esforçados conseguem, nem que seja pouco mas as próximas gerações vão conseguir. Esse é o capitalismo. O que vocês querem é o CONTRÁRIO, ninguém vai prosperar porque todos "seriam" iguais.
    Esse pensamento virou poeira.

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  6. Queremos sim um Brasil mais igualitário e justo. Mas já que nosso projeto ainda está longe de se realizar plenamente, levamos a nossa luta adiante do jeito que dá.

    O pensamento não é ninguém prosperar, mas sim TODOS terem a mesma chance de prosperar juntos. Vá falar de esforçado para uma mulher que viveu a vida toda trabalhando de empregada doméstica por que não aprendeu a ler por que teve que trabalhar quando criança. Ela tem chance de prosperar tanto quanto você, classe média, que tem pai que te dá tudo a tempo e a hora?

    Não venha me falar de que você prospera se quiser, por que o Brasil não oferece tantas oportunidades assim pra quem nasceu pobre.

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