Opinião e Atualidades

Fazendo Diferença

sábado, abril 16, 2011Roberth Moura


Fazer diferença. Deixar de ser apenas mais um na multidão. Tarefa difícil, hein? Por toda minha vida, pelo menos desde que me entendo por gente, eu busquei ser diferente. À medida que eu fui crescendo e formando minha personalidade fui aprendendo a gostar de músicas pouco populares no meu grupo social, de filmes antigos que ninguém sequer lembrava ou sabia da existência, livros que ninguém nunca ouviu falar. Além disso, em todo debate em grupo, com meus amigos, eu discordava de tudo (mesmo que eu concordasse – aliás, faço isso até hoje: tenho fortes argumentos tanto contra quanto a favor de determinado assunto alguns até inventados e quando o grupo o discute e a maior parte defende A, eu sempre defendo o B), só pra haver aquele clima de “contenda branca”, que eu adoro (aliás, leva as pessoas a refletirem).

     Mas isso apenas não bastava pra fazer a diferença: as coisas não são tão simples assim. Em uma cidade com 3 mil habitantes é fácil fazer a diferença. Em uma com 280 mil é mais ou menos. Num país do tamanho do Brasil é quase impossível. O desejo de fazer a diferença, de ser diferente daquilo que nós mesmos denominamos A Maioria, além de ser discriminação contra a Maioria, faz essa mesma maioria nos chamar de “Do Contra”.
“Até aí tudo bem”, você pensa. “Sou do contra, mas faço a diferença do meu jeito. Eu sei que faço. Sou o Bambambam. Eu sou único!” Era assim também que eu pensava. Ledo engano. Não sabemos nós que, toda vez que discordamos da maioria (lado A), e queremos ser diferentes deles, vestir diferente, gostar de coisas diferentes, só estamos optando por fazer parte da grande massa do outro lado que só quer fazer a diferença. Ou seja, hipoteticamente, cada vez que você acha que está sendo diferente, só está sendo igual a milhões e milhões (bilhões, se estiver na China) de outras pessoas que estão fazendo exatamente o mesmo que você para ser diferente, por que pra ser de fato diferente, você deve criar seu próprio estilo de roupa (um modelo futurista alienígena, por exemplo, ou andar nu, mas os índios andam nus, logo você não seria diferente), seu próprio estilo musical (o que será muito difícil, pois tudo que existe hoje já é reciclagem do passado), etc., etc..
Não quero que pense que você é exatamente igual a todo mundo (embora no fundo não sei que fundo é esse todos somos iguais. Logo conclui-se que você, infelizmente, está perdendo seu tempo. Mas pra você não ficar triste e abandonar para sempre meu blog tenha como consolo minha frase:
EU GOSTO DE VOCÊ COMO VOCÊ É. E vou gostar ainda mais se as meninas “diferentes” disserem: vem pro dreams comigo que eu vou te mostrar exatamente onde está a minha diferença (dedinho na boca). Se você busca ser diferente para construir sua identidade, não importa o quão longe vai. As pessoas que estão ao seu redor preferem você a uma Lady Gaga, pois aquilo é o início de ser demoniacamente diferente, o que você não quer ser eu acho. Tenha atitudes diferentes: venda sua casa, seu carro, doe tudo para bolsistas da Fapemig conta 06845211 razão social ODACYR R M S banco do brasil, ajude a ciência e tenha a sensação de que fez a coisa certa. Como diz nossa velha amiga Cassine: Faça diferença, chega de ser multidão... Mas falando sério e agora meu Deus, como é que eu dou um final decente pra esse post? , vamos misturar na muvuca, gostar de axé me leva aê..., ser fã de Crepúsculo dedo na garganta, Harry Pother, Lady Gaga capeta eu te ordeno agora: sai!, Justin Bieber o Google disse: você quis dizer Justin Biba, Luan Santana você é raio de saudade, meteoro da paixão, novelas insossas  super originais da globo, e tudo o mais e a partir disso construir um mundo igualitário com pessoas que se amam e são felizes, para toda eternidade.

You Might Also Like

8 comentários

  1. É... vou rever meus conceitos sobre fazer diferença...

    ResponderExcluir
  2. O Problema é que tem gente que vive em um mundinho que se ela não vê ninguem fazendo o mesmo que ela(mesmo sabendo que tem gente igual pelo mundo afora), ainda pensa que é tão diferente assim.

    ResponderExcluir
  3. Pior que é. Na verdade não existe nem autenticidade aí, pois faz o diferente, buscando ser diferentes, não sabendo que apenas muda de um bolo de gente para o outro, portanto não fazendo diferença nenhuma...

    ResponderExcluir
  4. Curti o post, leitura leve e que vai chamando a atenção do leitor. O tema se parece com o ultimo do meu blog. Parabéns

    ResponderExcluir
  5. Obrigado Eliabe. Visitarei seu blog e deixarei um comentário lá também!

    ResponderExcluir
  6. Pra ser o diferente mas e no final da história? ...não mudar em nada. Se fosse o caso de ser diferente fazendo alguma coisa, ajudando uma ONG, ou criando, participando de protestos, de movimentos sociais, criando coisas novas e COMPARTILHANDO ao invés de só ficar nessa "tiração de onda" até valeria a pena.
    Tem gente mesmo que só faz criticar o sistema, a educação, isso aquilo e aquilo outro, mas quando vai se expressar, seja lá a forma que for, acaba usando palavras rebuscadas, bem trabalhadas(só para mostrar que sabe)que só apenas uma parcela da população teve acesso á uma boa educação para poder entender aquilo, isso pra mim é tirar onda, e pessoa está até atrapalhando ao invés de ajudar.

    ResponderExcluir
  7. O objetivo da postagem não é direcionar as pessoas a buscar a fazer algo diferente. Ele propõe a reflexão das nossas práticas sociais junto à grande massa de pessoas que fazem as mesmas coisas que a gente, em diferentes partes de um determinado espaço. Ele faz cair a ficha de que não importa o que você faça, você nunca fará a diferença em TUDO. Você é diferente por sí só, por causa do conjunto de características próprias que o tornam quem você é. Mas ser o único, e de fato ser O diferente? Jamais!

    Navegue no humor do texto. Ele foi feito pra rir, relaxar e refletir...

    ResponderExcluir
  8. A parte do texto com que mais me identifiquei diz respeito a essa incumbência de "advogado do diabo" a que sempre me presto. Não por ser divertido, mas por achar necessária a avaliação de todos os pontos da questão para se formar uma opinião justa. Ademais, penso que essa necessidade constante de não ser só mais um entre muitos é algo digno do diário de uma pré-adolescente.

    ResponderExcluir

Flickr Images

Formulário de contato